Elvis 1956


quarta-feira, 26 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 22

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 22


Elvis era um homem repleto de complexidades e contradições. Passávamos uma noite discutindo a vida espiritual e depois ele ia assistir um filme de horror. Uma noite, quando assistíamos ao clássico de horror Diabolique, Elvis inclinou-se e indagou se eu estava disposta a uma ousadia.

— Claro.

Eu não tinha a menor idéia do que ele planejava, mas a aventura sempre me atraía.

— Vou levar você a um lugar que vai deixá-la apavorada... foi o que aconteceu na primeira vez em que estive lá.

Depois que o filme terminou, ele pegou-me pela mão e fomos todos para a limusine. Elvis determinou ao motorista:

— Leve-nos ao necrotério. Tem um cara lá que toma conta do lugar. Já estive lá uma vez. Eu estava andando pelas salas, vendo os cadáveres, quando esbarramos um no outro. E nós dois ficamos apavorados.

— Está querendo dizer que vamos entrar?

— É proibido, mas posso dar um jeito.

— Está certo. Eu topo.

Sua fama era a chave-mestra. Era meio fantástico andar pelos corredores, entrar em cada sala. Era tudo silencioso, solene, mal iluminado. Eu apertava a mão de Elvis. A princípio, não queria olhar, mas Elvis garantiu que os cadáveres estavam em paz e depois da primeira olhada não seria tão ruim assim.

Vagueamos de uma sala para outra. Fiquei espantada ao descobrir como era fácil me acostumar àquela visão insólita. Era um lugar sereno, quase como se estivéssemos na igreja. Estava tudo muito bem até que olhei para uma mesa e avistei um bebê que devia ter dois ou três meses de idade. Ficamos olhando em silêncio, até que murmurei:


— Puxa, Sattnin, ele é tão pequeno, tão inocente... O que terá acontecido? Não há cicatrizes.

As lágrimas escorriam por meu rosto. Uma pausa e Elvis disse, suavemente:

— Não sei... Às vezes Deus opera de maneiras estranhas.

Acho que o bebê estava destinado a ir ao seu encontro. Seguramos a mão do bebê e Elvis disse uma oração. Poucos minutos depois encontramos o cadáver de uma mulher de meia-idade, que acabara de ser embalsamado. Desviei os olhos.

— Isso é bom para você — comentou Elvis. — Precisa ver coisas assim de vez em quando. É a verdade nua e crua...a realidade. Quando se olha para um cadáver, compreende-se que tudo é temporário, como pode acabar numa questão de minutos.

O lado espiritual de Elvis era um aspecto dominante em sua natureza. Como um garoto pequeno, criado em Tupelo, Mississipi, ele e a família freqüentavam a igreja regularmente, na Primeira Assembléia de Deus. Foi criado com a pregação do inferno que incutia o temor de Deus e a música que levava aos Portões do Paraíso.

Elvis, Vernon e Gladys integravam o coro e foi então que a música embalou pela primeira vez a sua alma. Ele era capaz de efetuar a cura espiritual: um toque de suas mãos nas minhas têmporas e a mais dolorosa dor de cabeça desaparecia.

Ele sempre mantinha a Bíblia na mesinha-de-cabeceira e a lia com freqüência. Agora, confrontando um desespero cada vez mais profundo, ele começou a ler outros livros filosóficos, à procura de respostas e orientação. Leu as obras de Kahlil Gibran. Um livro em particular, O Profeta, muito o inspirou. Também leu Sidarta, de Hermann Hesse, e A Vida Impessoal, de Joseph Benner. Tornou-se tão apaixonado por esses livros que os presenteava a amigos, colegas de profissão e fãs. Apelavam para sua natureza religiosa e ele adorava reunir as pessoas "no espírito da única força permanente

— "Deus Todo-poderoso".

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ELVIS E EU


Quando a mãe Gladys, estava viva, Elvis contava com uma pessoa para lhe dar respostas, uma pessoa a quem respeitava e que constantemente o lembrava de seus valores e raízes. Era Gladys quem mantinha Elvis consciente da diferença entre o certo e o errada, os males da tentação e o perigo da vida em ritmo vertiginoso.

— Mamãe, quero você e papai em Hollywood comigo — dizia ele. — Há muitos executivos por lá, tomando decisões, gente com uma conversa suave que não posso entender.

Nos primeiros tempos, Vernon e Gladys acompanhavam Elvis na maioria de suas excursões pelo Sul e nas idas a Hollywood, quando ele fez seus primeiros filmes. Era o bom senso de Gladys que contrabalançava as inseguranças de Elvis na juventude.

Mas desde a morte de Gladys que não houvera mais limites para Elvis. Ela fora a força que o mantivera na linha.

Agora que ela não estava mais ali, Elvis vivia num conflito permanente entre sua ética pessoal e as tentações que o cercavam. Em meados dos anos sessenta ele estava sempre lendo a Bíblia em seu estúdio em Bel Air. Uma noite sentei ao seu lado, enquanto ele lia passagens com a maior veemência. À nossa frente, havia várias de suas admiradoras, usando as blusas mais decotadas e as mais curtas minissaias. Todas escutavam atentamente, discípulas extasiadas na presença de seu "senhor". O sermão estendeu-se por horas, seguindo-se uma sessão de perguntas e respostas, durante a qual as garotas disputaram sua atenção. Sentada aos pés de Elvis estava uma garota atraente e bem-dotada, com a blusa desabotoada até o umbigo. Inclinando-se sedutora, ela perguntou em voz insinuante:

— Elvis, acha que a mulher no poço era virgem?

Como eu estava ao seu lado, ele evitou se aproveitar do espetáculo que obviamente lhe era oferecido.

— É uma coisa sobre a qual terá de tirar as suas próprias conclusões, meu bem — respondeu Elvis. — Pessoalmente, acho que Jesus sentiu-se atraído por ela. Mas é apenas a minha opinião, não estou afirmando que é um fato incontestável.


Fiquei observando Elvis e as garotas conversarem, sentindo-me abalada e furiosa. Que estupidez!, pensei. Será que Elvis não percebe o que ela está fazendo? É tão óbvio! Ele aspirou fundo e indagou:

— Gosto do seu perfume, meu bem. Qual é?

— Chanel Nº 5 — respondeu ela.

Chanel Nº 5? Mas era o perfume que eu estava usando! Por que Elvis não percebia em mim? Levantei-me devagar e fui para o meu quarto de vestir, que ficava ao lado do estúdio. Determinada a atrair sua atenção, vesti a roupa que ele mais apreciava — um vestido preto bem justo que Elvis escolhera pessoalmente.

Voltei alguns minutos depois e tornei a ocupar meu lugar a seu lado, mas ele estava tão absorvido em pregar às suas devotas que ignorava totalmente a minha ausência. Para agravar a situação, Elvis também não percebeu que eu trocara de roupa.

Consegui esconder minha aflição por trás de um falso sorriso e um olhar atento, mas não pude deixar de perceber que ele reagia às garotas com uma piscadela ou um sorriso ocasionais. Fiz perguntas como elas, mas meu coração não estava nisso; sabia que todas aquelas garotas queriam tomar o meu lugar. "Não há outro jeito", pensei. "Se não sou apreciada, amada ou desejada, acabarei com tudo. Assim, será mais fácil para todos."
Levantei-me e fui para o nosso quarto. Pegando um vidro de Placidyls pela metade, idealizei um plano para criar um efeito dramático, que pela minha imaginação haveria de conquistar sua atenção. Fiquei olhando fixamente para as pílulas e refleti: E se eu sufocar até a morte? Resolvi tomar duas pílulas, para começar. Assim, poderia tomar um banho de chuveiro rápido, refazer a maquilagem, vestir a camisola mais atraente e me ajeitar dramaticamente na cama, antes de engolir o resto do vidro. Engoli as pílulas e comecei a me preparar para o fim. Em lágrimas, pensei em deixar-lhe um bilhete, escrevendo tudo o que não fora capaz de dizer. Diria como desejara que nós dois pudéssemos ficar a sós de novo, como acontecera durante as longas horas que passáramos juntos em seu quarto na Alemanha. Confessaria que tinha ciúme de qualquer mulher que atraía sua atenção e detestava as ocasiões em que havia apenas silêncio entre nós, apesar de ele alegar que tinha muitos problemas na cabeça. Diria como


temia suas explosões violentas, que me privavam da liberdade de expressão; e como gostaria que ele tentasse me compreender, enquanto eu desesperadamente tentava compreendê-lo.

Talvez ele sentisse minha falta a esta altura, pensei. Corri para a porta e encostei meu ouvido. Ouvi-o rir. Ele estava se divertindo. As garotas também. Descobri que estava cansada de tudo aquilo. Não entraria ali agora nem que ele me pedisse. Além do mais, estava exausta. Mas não estava exausta demais para lembrar como queria ser encontrada. Deitei na cama, os cabelos pretos compridos espalhados sobre os travesseiros brancos, os lábios brilhando. Em minha ingênua fantasia, Elvis abraçava meu corpo inerte e dizia o quanto me amava, beijando-me ardentemente para me fazer voltar à vida.

Forcei-me a tomar mais uma pílula e fiquei absolutamente imóvel na posição em que queria ser descoberta. Esperei pelo que pareceram horas para que o sono me dominasse. Quanto mais ouvia o riso de Elvis, mais furiosa ficava. A fúria de adrenalina estava se sobrepondo ao efeito das pílulas. E não demorou muito para que começasse a me sentir uma tola. Depois, ouvi Elvis despedir-se das garotas e encaminhar-se para a porta. Peguei o livro mais próximo e ajeitei-o ao meu lado, para dar a impressão de que estava lendo e caíra no sono. Ouvi-o entrar, aproximar-se da cama suavemente, pegar o livro. Ele sussurrou o título, O Ouvinte. Pude imaginá-lo ao sorrir, satisfeito por eu estar lendo livros filosóficos. Elvis inclinou-se por cima de mim por um instante, provavelmente pensando como eu parecia doce e como devia estar cansada para me retirar tão cedo. Ele me cobriu com um cobertor carinhosamente e tornou a se inclinar para dar um beijo em meus lábios entreabertos. Toda minha ira e ciúme se desvaneceram. Compreendi como até mesmo um pouco de sua atenção podia me fazer feliz.



ELVIS E EU






CONTINUA,,,,,,,,,,
 
 

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 21

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 21



Nem tudo era tão promissor quanto eu levara meus pais a acreditarem. Elvis e eu não podíamos ser realmente felizes juntos porque ele se sentia muito infeliz com sua carreira. À primeira vista, ele conseguira tudo: era o ator mais bem pago de Hollywoowd, com um contrato de três filmes por ano, e um salário fabuloso mais cinqüenta por cento dos lucros. Mas, na verdade, sua carreira brilhante perdera o lustro. Por volta de 1965 o público só tinha acesso a Elvis através dos filmes e discos. Ele não se apresentava na televisão desde o especial com Frank Sinatra em 1960 e não oferecia um concerto ao vivo desde a primavera de 1961.

As venda de seus discos indicavam que sua popularidade enorme estava declinando. Os compactos não estavam mais incluídos automaticamente entre os Dez Mais e ele não conquistava um Primeiro Lugar no long-playing desde a primavera de 1962.

Atribuía o declínio da popularidade à monotonia de seus filmes. Detestava os enredos banais e os prazos curtos para as filmagens. Mas sempre que se queixava, o Coronel lembrava que estavam ganhando milhões e que o fato de seus dois últimos filmes sérios, Flaming Star e Wild in the Coutry terem sido fracassos de bilheteria provava que os fãs queriam vê-lo apenas em musicais.

Ele poderia exigir roteiros melhores, mais substanciais, só que nunca o fez. Um dos motivos para isso era o estilo de vida suntuoso a que se acostumara. O principal motivo, porém, era sua incapacidade de resistir ao Coronel. Na vida pessoal, Elvis não hesitava em proclamar a todos que conhecia como ou o que sentia, mas quando se tratava de enfrentar o Coronel Parker, ele sempre recuava. Elvis detestava o aspecto comercial de sua carreira. Assinava um contrato sem ler.

Era um artista para quem o ato de criação era tudo. Ele e o Coronel tinham um acordo tácito: Elvis cuidava do lado artístico e o Coronel se


encarregava de toda a parte comercial. Com isso, o Coronel impunha um filme medíocre depois de outro. A posição do Coronel era simples: se tais filmes haviam sido sucesso no passado, por que mudar a tendência? Elvis também estava se tornando desiludido com sua música. Nunca tivera uma aula na vida, mas sua musicalidade era extraordinária e adorava todos os tipos de música — evangélica, ópera, blues, coutry e rock. O único tipo de música que não apreciava muito era o jazz. Durante anos Elvis permanecera no topo das listas de sucessos porque lhe fora oferecida uma boa seleção de músicas para escolher e pudera gravá-las em seu próprio estilo, à sua maneira, ainda não se decepcionara com a indústria da música.

No estúdio, Elvis trabalhava bem com as pessoas com que se sentia à vontade e sabia exatamente o som que queria. Escolhia pessoalmente os músicos e o coro; se gostava do som que faziam, sua própria voz alcançava novas culminâncias. Adorava misturar vozes e admirava a fusão de tenor e baixo. Durante uma gravação, ele parava de repente, aproximava-se do coro, harmonizava a canção com eles, rindo e gracejando, desafiando cada um a subir ou descer mais, tentando acompanhá-los, na maior parte do tempo, quando sua voz se encontrava em plena forma, conseguia fazê-lo. Quando estava fascinado pelo material, adorava as gravações. Gostava de trabalhar como uma equipe — sua voz, o coro e os instrumentos sendo gravados no mesmo volume.

Não queria que sua voz se projetasse sozinha. Gostava do impacto do grupo inteiro. Era o seu som e um som fabuloso, até o dia que o Coronel disse que havia queixas dos fãs e da RCA de que não podiam ouvir Elvis direito. Se era ou não verdade, o fato é que ele sugeriu que a voz de Elvis fosse mais destacada.

Foi uma das poucas ocasiões em que Elvis decidiu enfrentá-lo, declarando:

— Venho cantando assim por toda a minha vida. O que algumas cabeças na RCA sabem sobre música? Cantarei as canções da maneira como as ouço.

O técnico de gravação, no entanto, trabalhava para a RCA e não para Elvis, começando a sufocar o coro.


ELVIS E EU


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— O velho está interferindo com as minhas trilhas sonoras — ele queixou-se a Red West e a mim, uma noite, na limusine, a caminho do Memphian. — Não tenho a menor chance. A RCA só escuta a ele. As fãs não vão querer ouvir minha voz na frente. Afinal meu estilo sempre foi outro. Mal podia ser compreendido. E deixava a pessoa com vontade de escutar mais. As canções que são sucesso hoje... mal se consegue ouvir o que estão cantando. O homem deveria ficar com os seus negócios e me deixar cuidar da minha música. Elvis só podia ir até certo ponto na resistência e depois perdia o ânimo. Já tinha de suportar os filmes horríveis e agora, ainda por cima, estavam interferindo com sua música.

O Coronel não tramou intencionalmente para fazer Elvis parecer ruim ou para assumir o controle artístico. Seu único interesse era lançar o produto no mercado, a fim de que o dinheiro entrasse. Mas quando ele começou a cruzar a fronteira das negociações comerciais para o lado artístico, Elvis começou a entrar em declínio lentamente. Eu queria desesperadamente ajudá-lo, mas não sabia como. Em minha inocência, tentava convencê-lo, a argumentar com o Coronel. Mas ele só ficava furioso, dizendo que eu não sabia do que estava falando.

Eu não compreendia sua dificuldade em me revelar suas fraquezas. Só mais tarde é que percebi como era importante para Elvis sempre parecer estar no controle em minha presença. Cada vez que eu enunciava minhas opiniões com bastante firmeza, especialmente se divergiam das suas, ele me lembrava que o seu era o sexo forte e eu, como mulher, devia permanecer em meu lugar. Ele gostava de dizer que a função da mulher era ficar do lado esquerdo do homem, perto do coração, dando-lhe força através de seu apoio.

O papel de Elvis em relação a mim era o de amante e pai; assim, ele não podia baixar a guarda, tornar-se falível ou realmente íntimo. Eu ansiava por isso e, como mulher, também precisava. Havia noites em que o sono era agitado, atormentado por preocupações e medos. Eu deitava em silêncio ao seu lado, angustiada com o que ele poderia estar pensando, especulando se haveria um lugar em sua vida para mim. Perdidos em nossas aflições separadas, éramos incapazes de proporcionar força e apoio um ao outro. Elvis era dominado por sua incapacidade de assumir


responsabilidade por sua própria vida e por fazer concessões em seus padrões... e eu era dominada por ele, fazendo concessões nos meus. Quando as coisas estavam ruins, Elvis ligava para Vernon e conversavam por horas a fio sobre seus problemas. Ele dizia ao pai que estava solitário e deprimido, ninguém o compreendia. Quando eu ouvia tais comentários, encarava-os como algo pessoal, novamente pensando que estava lhe falhando.

Vestia então meu vestido mais bonito, exibia o sorriso mais jovial — e minha personalidade mais falsa — e tentava animá-lo. Quando eu não conseguia arrancá-lo da depressão, ele passava o dia inteiro trancado em seu quarto. O que me deixava arrasada. Com medo de dizer ou fazer a coisa errada, eu reprimia meus verdadeiros sentimentos e acabei desenvolvendo uma úlcera.

Quanto mais as frustrações aumentavam, quanto mais pressão ele sentia, mais os problemas se manifestavam em males físicos. Especificamente para controlar a depressão, ele passou a tomar antidepressivos. Seus enormes talentos criativos estavam sendo desperdiçados e isso era uma coisa que ele não podia suportar.

O Coronel Parker sabia do seu estado, mas tinha um acordo antigo com Elvis de que não se intrometeria em sua vida pessoal. Em vez de confrontar Elvis, ele tentou fazer com que os rapazes o denunciassem. Era uma situação extremamente delicada e os rapazes procuraram se esquivar. O Coronel costumava recrutar Sonny West e Jerry Schilling para levá-lo de carro a Palm Springs e trazê-lo de volta, nos fins de semana. Durante a viagem, ele tentava arrancar-lhes informações. Eles precisavam tomar muito cuidado.

Se dissessem alguma coisa errada, estariam traindo Elvis. Era especialmente difícil para Joe Esposito, que passava muito tempo com o Coronel, já que era uma espécie de capataz do grupo. Quando Elvis começava a cancelar reuniões ou a se comportar de maneira estranha no estúdio, o Coronel indagava:

— O que está acontecendo com Elvis, Joe? Ele parece se encontrar em péssimo estado. Não podemos permitir que o vejam assim.


Joe estava dividido entre suas lealdades ao Coronel e a Elvis. Gostava de Elvis e respeitava os seus desejos, mas compreendia que era o Coronel quem fechava os negócios e tinha de entregar o "produto" ...Elvis. Quando o Coronel atribuiu a Joe a responsabilidade de informá-lo sobre o "estado mental e emocional" de Elvis, um eufemismo para o consumo de drogas, Elvis descobriu e disse:

— Não quero nenhum filho da puta por aqui dizendo ao Coronel o que eu faço ou o que acontece nesta casa.

Ele despediu Joe sumariamente. Perdoou-o seis meses depois e aceitou-o de volta. Era típico de Elvis explodir furiosamente e em seguida perdoar a todos.

Desde a minha chegada a Graceland, comecei a notar uma mudança gradativa na personalidade de Elvis. Nos primeiros dias de nosso relacionamento, ele parecia estar mais no controle de suas emoções. Era um homem capaz de desfrutar a vida ao máximo, especialmente durante os nossos momentos especiais. Adorávamos passear ao final da tarde, pouco antes do escurecer. Geralmente terminávamos na casa de seu pai, assistindo televisão, pai e filho relaxando, fumando charutos e discutindo os problemas do mundo.

Freqüentemente o assunto era a intenção de Vernon de trocar seu carro, um rebuscado Cadillac que Elvis lhe dera de presente, por um Olds 1950, com o qual se sentia mais à vontade. Vernon adorava caminhões e carros antigos, trocando-os a intervalos de poucos meses, deliciado a cada nova transação.

Voltando a pé para casa com Elvis, conversávamos sobre o destino — como nos reunira, como éramos feitos um para o outro, como Deus operava por caminhos estranhos, unindo duas pessoas de partes diferentes do mundo.

Eu adorava quando Elvis conversava assim. Ele tinha planos para nossas vidas, dizendo que estava destinado a viver comigo e não poderia ter qualquer outra. Nesse clima afetuoso, eu descobria que podia me abrir e expressar livremente minhas opiniões. Olho para trás agora e compreendo que nosso romance era dependente dos rumos de sua carreira. Durante



períodos prolongados de não-criatividade, Elvis tinha acessos de fúria freqüentes.

Houve uma ocasião em que examinamos uma pilha de discos de demonstração para um álbum da RCA; sua aversão a cada canção foi se tornando cada vez mais patente.

Antes de um disco chegar ao meio, ele já estava passando para o seguinte, cada vez mais desanimado. Finalmente encontrou uma canção que prendeu sua atenção e perguntou minha opinião. Lembrando aquele primeiro incidente em Las Vegas, senti que nosso relacionamento se desenvolvera a um ponto em que ele queria minha opinião sincera.

— Não gosto muito.

— Como assim?

— Não sei direito... tem alguma coisa que está faltando... um ponto de atração...

Para meu horror, uma cadeira voou pelo ar em minha direção. Consegui me desviar no último instante, mas havia pilhas de discos em cima da cadeira e um deles me atingiu no rosto. Poucos segundos depois Elvis estava me abraçando, pedindo desculpa, freneticamente. Todos diziam que ele herdara seu temperamento explosivo dos pais.

Eu já ouvira história da ocasião em que Gladys tivera um acesso de raiva, pegara uma frigideira e jogara em Vernon. Também já testemunhara as palavras duras de Vernon quando ficava furioso. Essa característica genética era inerente ao temperamento de Elvis. Podia-se sentir a vibração quando ele estava com raiva. A tensão aumentava a um ponto explosivo e ninguém queria estar por perto no momento da erupção. Mas se alguém resolvia se retirar, tornava-se automaticamente o alvo de toda a ira, inclusive eu. Como na ocasião em que ele desceu a escada furioso porque seu terno preto — que usara no dia anterior — fora mandado para a lavanderia.

— Por que ainda não voltou, Cilla? — gritou ele. — Onde está a porra do meu terno?

Ele tinha outros dois ternos idênticos ao que estava na lavanderia, mas queria justamente aquele.



ELVIS E EU

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Quando Elvis estava furioso, era como uma trovoada. Ninguém podia contestar suas palavras mordazes; só podíamos esperar que a tempestade passasse. Depois que se acalmava, Elvis pedia desculpas... não dormira o suficiente, dormira demais ou ainda não tomara o seu café naquela manhã. Às vezes ele esbravejava só para firmar um argumento. Se achava que podia nos dar uma lição, ampliava um problema de menor importância a proporções absurdas; e mesmo enquanto estava gritando, podia piscar para alguém próximo. Dez minutos depois ele estava muito bem, deixando-nos aturdidos e esgotados emocionalmente. Havia também ocasiões em que ele nos animava emocionalmente. Era realmente um mestre na arte de manipular as pessoas.



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terça-feira, 25 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 20

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 20



Eu estava agora vivendo com Elvis há dois anos e viajando em sua companhia regularmente. Meus pais, de volta da Alemanha, estavam agora morando temporariamente com meu Tio Ray, em Conecticut, antes de irem para a base Travis, da Força Aérea, perto de Sacramento. Eu estava ansiosa em vê-los, mas detestava a idéia de deixar Graceland. Além daqueles portões, o cordão estava cortado.

Tinha medo de que o momento em que eu saísse do mundo de Elvis seria o instante que outra poderia aproveitar para entrar. Mas eu precisava ver meus pais. Sentia muitas saudades. Sabia muito bem que minha aparência — um vestido bem justo, saltos altos, maquilagem intensa e os cabelos pintados de preto, empilhados no alto da cabeça num penteado que parecia uma colméia — não lhes arrancaria uma reação das mais satisfeitas, mas estava decidida a não alterar nada do estilo que Elvis criara com tanto esmero.

Voei para Connecticut e minhas expectativas estavam corretas. Meus pais ficaram tão chocados ao me verem que mal conseguiram falar. Mais tarde, papai me disse que por baixo de toda aquela maquilagem meus olhos pareciam "dois buracos escuros na neve".

O resto do fim de semana não trouxe qualquer melhoria na situação. Eu estava sendo franca sobre meu relacionamento e estilo de vida.

Querendo evitar perguntas constrangedoras sobre o meu futuro, passava a maior parte do tempo no quarto. Mas as perguntas vieram assim mesmo.

— Como é viver em Graceland?

— É verdade que Elvis nunca vai a parte alguma?

Eu achava que a sondagem era uma invasão da minha privacidade, de minha vida pessoal: por isso; dei respostas cautelosas. Meus pais não gostaram da minha atitude e posição defensiva. Estavam apenas



demonstrando um interesse natural por mim e uma preocupação com meu bem-estar quando perguntavam como eu me saíra na escola, as notas que tirara, se trouxera o boletim.

Também queriam saber se eu planejava cursar uma universidade. Embora meu único plano fosse o de acompanhar Elvis a qualquer lugar que ele fosse, respondi que tencionava me matricular. Tentei dizer-lhes o que desejavam ouvir e falar o mínimo possível, convencida de que me mandariam voltar para casa se declarasse alguma coisa errada.

Depois desse fim de semana, tentei evitar meus pais. Mas eles sabiam que eu ia me encontrar com Elvis quando ele filmava em Los Angeles e insistiram que fosse passar o fim de semana em sua nova casa, Sacramento. Isso criava um problema. Eu não podia admitir partilhar meu tempo com qualquer outra pessoa além de Elvis, especialmente os fins de semana, quando ele não trabalhava.

Mesmo assim, faria viagens ocasionais a sacramento; afinal, se não visitasse meus pais, eles viriam nos visitar. Eu sabia que Elvis era muito melindroso e nunca se tinha as menor idéia do que podia provocá-lo. Fiquei particularmente nervosa quando meus pais decidiram levar minha irmã e meus irmãos à Disneylândia pelo fim de semana...passando por Bel Air para nos visitar. Persuadi-os que Bel Air ficava muito fora de mão e que seria melhor eu ir encontrá-los na Disneylândia. Passei o fim de semana com eles, mas no domingo meus pais insistiram em me levar em casa. E é claro que eu tinha de convidá-los para o jantar.

Eles me deixaram em casa e seguiram para um hotel próximo, a fim de tomarem um banho e mudarem de roupa. Entrei correndo em casa, dominada pelo pânico, porque sabia que teria de lhes mostrar toda a casa. Não podia dizer a meus pais que dormia com Elvis e decidi tentar enganá-los, fazendo-os pensar que tinha um quarto só meu.

Perguntei a Charlie Hodge, um dos empregados, se podia me emprestar seu quarto. Subi correndo, fui pegar minhas coisas no quarto de Elvis e levei para o de Charlie. Espalhei os vidros de perfume, pendurei algumas roupas no armário, deixando estrategicamente a porta entreaberta, finalmente ajeitei na cama todos os cachorros e ursos de pelúcia que adorava colecionar.
 

ELVIS E EU


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Naquela noite, ao jantar, Elvis mostrou-se encantador e maravilhoso, mas eu me sentia apavorada demais para comer. Ficava angustiada sempre que Elvis e papai se reuniam, pois nunca sabia o que papai poderia lhe perguntar. Elvis costumava ficar bastante aborrecido porque as pessoas sempre se mostravam curiosas sobre os "regulares", indagando o que este ou aquele fazia, por que precisava de tanta gente. Quando eu exortava papai para ser menos curioso, isso só servia para torná-lo ainda mais curioso.

— Por que não posso fazer perguntas? — indagou ele. — O que há para esconder?

Depois do jantar, ofereci à minha família uma excursão pela casa. Tentei mostra-lhes o "meu" quarto de forma tão casual quanto fizera com os outros, comentando calmamente:

— Como podem ver, dá para o pátio. E agora vou mostrar o quarto de Elvis.

Abri a porta do quarto rezando para que ninguém quisesse ver os enormes closets, pois então todas as minhas coisas seriam reveladas. Descobri horrorizada que um dos meus sapatos ficara perto da cama. Consegui empurrá-lo com pé para longe das vistas. Por mais espantoso que possa parecer, a noite transcorreu sem qualquer contra tempo. Meus pais jamais questionaram a história do meu quarto, mas tenho certeza de que nunca acreditaram.

Naquela noite, ao dar uma olhada no quarto de Charlie, vendo todos os bichos na cama, Elvis desatou a rir. Continuei a resguardar meu estilo de vida. Estava sempre com medo de que meus pais investigassem muito atentamente meu relacionamento com Elvis. E como não podia deixar de acontecer, eles acabaram interrogado-me sobre o nosso futuro.

— Por quanto tempo mais vai continuar assim? Quais são as intenções de Elvis? Há planos para alguma coisa? Se não, por que você não faz as malas e volta para casa? Achamos que já está na hora.

Ouvir isso era meu maior temor. E disse a eles:

— Nosso relacionamento é maravilhoso; E tenho certeza de que tudo vai acabar bem.



ELVIS E EU

Eu lhes servi sorvete de baunilha com creme e uma cereja por cima... e, assim, tudo parecia promissor.


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LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 19

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 19




Na próxima vez que Elvis foi para Los Angeles, onde estava começando a filmar Kissi'n Cousins, fui em sua companhia.

Eu adorava Los Angeles. Era uma cidade emocionante, em comparação com o ritmo lento a que me acostumara em Memphis. E o melhor de tudo: eu me sentia parte do mundo de Elvis. Sua programação frenética e a intensa atividade cotidiana eram agora realidades para mim, não mais apenas acontecimentos remotos, relatados em nossas conversas telefônicas noturnas.

O problema era que a vida de Elvis ainda incluía Ann-Margret, apesar do filme que haviam feito juntos, Viva Las Vegas, ter sido concluído seis semanas antes. Os jornais noticiavam todas os dias que o romance entre os dois estava "desabrochando", cada artigo me atingindo como uma bofetada. Pensei: Quando tudo isso vai acabar... as notícias, fofocas, manchetes, o romance?

Uma tarde Elvis voltou do estúdio com um jornal na mão, furioso.

— Não posso acreditar que ela tenha feito isso! — Ele jogou o jornal contra a parede, num acesso de raiva. — Teve a desfaçatez de anunciar que estamos noivos!

Eu tinha certeza absoluta da resposta, mas assim perguntei:

— Quem?

— Ann-Margret. Todos os grandes jornais dos Estados Unidos deram a notícia. O rumor espalhou-se como uma doença contagiosa. Virando-se para mim, ele acrescentou:

— Vou ter de pedir a você para ir embora, Honey. A imprensa ficará de vigia no portão e me seguirá por toda parte, à espera de uma declaração. O Coronel sugere que talvez seja melhor você voltar para Memphis, até que as coisas esfriem.



Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Subitamente, todos os meses de silêncio insuportável afloraram e gritei:

— O que está acontecendo por aqui? Já não agüento mais esses segredos! Telefonemas! Bilhetes! Jornais! — Peguei um vaso com flores e joguei para o outro lado do quarto, espatifando-o contra a parede. — Eu a odeio! Por que ela não continua na Suécia, que é o seu lugar? Elvis agarrou-me pelo braço e puxou-me para a cama.

— Pare com isso! Eu não sabia que a situação ia escapar ao controle. Quero uma mulher que compreenda que essas coisas sempre podem acontecer. — Ele me lançou um olhar duro, penetrante. — Você vai ser essa mulher.. ou não?

Sustentei o seu olhar, furiosa, desafiadora, odiando-o por tudo o que estava me obrigando a suportar.

Depois de uma pausa prolongada, nós dois nos acalmamos. Mais uma vez ansiosa em agradar, murmurei:

— Partirei amanhã. Ficarei em Memphis à sua espera.

Elvis voltou duas semanas depois. Pouco falamos na noite de seu retorno. Trocamos alguns sorrisos forçados. Por sorte, havia muitos rostos familiares presentes, o que ajudou a disfarçar o constrangimento do momento.

Depois que todos foram embora, Elvis e eu finalmente tivemos de nos encarar. Ele se aproximou, pegou meu rosto entre as mãos, fitou-me nos olhos e murmurou:

— Está tudo acabado, Cilla. Juro para você. Acabou.

Não falei nada. Apenas escutei com toda atenção enquanto ele continuava:

— Acho que fui envolvido por uma situação que escapou ao controle desde o início. Ela e eu vínhamos de dois mundos diferentes. Não gosto de ser explorado. Não posso viver assim. Não me interprete mal. Ela é uma boa garota, mas não é para mim.

Eu não queria ouvir mais nada. Fitei-o, apenas meio escutando o que ele dizia, ao mesmo tempo em que me perguntava como poderia continuar sabendo que o futuro só lhe traria mais tentações. O amor era muito mais complicado do que eu jamais imaginara.



ELVIS E EU



Houve um silêncio entre nós, que persistiu até que Elvis não pôde mais suportar e disse:

— Vamos esquecer tudo. Perdoe-me, por favor. — Depois, com expressão de garotinho que parecia sempre conquistar meu coração, ele acrescentou: — Acho que foi o diabo que me levou a fazer isso. Concordei.

Seria um pouco mais cética agora. E ainda havia mais um problema a resolver. Fui para o banheiro de Elvis, revistei seu estojo de maquilagem e tirei um telegrama que sabia que ele recebera antes. Dizia simplesmente:

NÃO POSSO ENTENDER— SCOOBIE."

Era de Ann-Margret. Tive certeza, scoobie era um apelido que ela dera a si mesma, como Elvis me confessou depois. A frase era também o título do primeiro disco de sucesso que ela gravara, no início dos anos sessenta. Era evidente que Elvis se dissociara totalmente de Ann-Margret, cortando os vínculos entre os dois.

— Incomoda-me saber que está aqui — murmurei. Rasguei o telegrama em pedacinhos, joguei no vaso e puxei a descarga, com a maior satisfação.

— Não deixa passar muita coisa, não é mesmo, Baby? Para uma garotinha, você é uma mulher típica. — Ele estava rindo. — Acho que é melhor eu tomar cuidado.

Retribuí o sorriso, mas pensei: Nada disso. Sou eu quem precisa tomar cuidado. A amizade mútua e o respeito profissional entre Ann-Margret e Elvis persistiriam até o dia de sua morte.

Depois da provação com Ann-Margret, eu ainda desconfiava que havia outras mulheres. De vez em quando eu lia ou ouvia falar de um romance de Elvis com a estrela de seu último filme. Via fotografias dos dois passeando pelo Sunset Boulevard na nova motocicleta de Elvis, era informada de que ele comprara um carro novo para uma jovem starlet com quem começara a fazer um filme. Havia sempre margem para dúvida. Era

 
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ELVIS E EU



difícil diferenciar entre rumor e fato e eu ficava desesperada de tanta preocupação.

Antes de começar a viajar com Elvis em caráter permanente, descobri bilhetes e cartões escondidos no fundo de uma prateleira em seu armário. Diziam: "Foi maravilhoso, querido. Obrigada pela noite." Ou então: "Quando vamos nos encontrar de novo? Já se passaram dois dias e sinto muita saudade." Quando manifestei minhas suspeitas, Elvis negou tudo e alegou que eu estava "imaginando coisas". Disse-me que estava sendo ridícula por acreditar nos colunistas de fofocas. Contudo, eu não podia deixar de lembrar que ele me dissera a mesma coisa quando eu o interrogara a respeito de Ann-Margret.

Se eu o contestasse firme, corria o risco de ele ameaçar me mandar de volta para a casa dos meus pais.

Elvis sabia que essa tática sempre funcionava. Na primeira vez em que aconteceu ele estava filmando Spinout e conversávamos sobre a estrela do filme, Shelley Fabares. Sugeri que eu podia ir ao cenário para conhecê-la.

— Seria melhor que você não fosse — respondera Elvis.

— Por que não? Afinal, não estou fazendo nada. Podia ir e depois almoçar com você.

Ficara evidente que eu dissera a coisa errada. Elvis me lançara um olhar ameaçador e dissera suavemente:

— Já chega, mulher! não quero ouvir mais nada!

Fora tolice de minha parte, mas eu não ligara para sua advertência.

— Há alguma coisa que você está escondendo e não quer que eu veja?

Ele tivera um acesso de raiva.

— Não tenho nada para esconder! Você está sendo agressiva e exigente demais. Talvez fosse uma boa idéia você ir visitar seus pais por algum tempo.

Chocada, eu berrara:

— Não vou de jeito nenhum!

— Acho que deve ir. E vou até ajudá-la.

Elvis fora ao meu armário e começara a tirar as minhas roupas, jogando-as no chão, com os cabides inclusive. Pegara minha mala e largara em cima das roupas.



— Muito bem, mulher, comece a arrumar sua coisas!

Eu não podia acreditar naquela reação exagerada. Só podia ser uma de quatro coisas: Ele era inocente, eu o fizera sentir-se culpado, ele era culpado e eu o fizera sentir-se ainda mais ou simplesmente ele estava irritado com o roteiro insípido de sue filme e me escolhera para descarregar sua raiva.

Chorando, eu começara a arrumar a mala, enquanto ele se virava e saía do quarto. Momentos depois, eu o ouvira gritar para Joe que fizesse uma reserva no avião.

— Arrume uma vaga no primeiro vôo! Ela vai voltar para a casa dos pais!

Havia uma determinação em sua voz que eu nunca ouvira antes. Histérica, eu me pusera a dobrar as roupas, enquanto ele continuava a berrar lá fora. Arrumara tudo devagar, atordoada pelo golpe. Eu me sentia humilhada quando ele voltara ao quarto. Continuara a arrumar as roupas, chorando incontrolavelmente.

— Você é exigente demais — dissera Elvis, depois de me fitar em silêncio por algum tempo. — Apresse-se. Está na hora de partir.

Eu me levantara lentamente e me encaminhara para a porta. No instante em que lá chegava, milagrosamente, eu estava em seus braços, ele me apertava com força.

— Está compreendendo agora? — Enquanto ele falava, eu chorava contra o seu ombro. — Percebe que precisa disso? Precisa de alguém para levar você a esta ponto e pô-la em seu lugar.

Eu me sentira aliviada e feliz por estar de volta a seus braços. Qualquer coisa que ele dissesse teria feito sentido para mim naquele momento. O que só compreendi depois foi que aquela era a técnica de Elvis para me manter sob controle.


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ELVIS E EU




CONTINUA,,,,,,,,,
 




segunda-feira, 24 de abril de 2017

MORRE AOS 70 ANOS O IDOLO JERRY ADRIANE UM DOS ICONES DA JOVEM GUARDA

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no dia de ontem o BRASIL ficou mais triste e mais pobre musicalmente pois perdemos um dos artistas mais carismáticos da boa musica o grande e querido JERRY ADRIANE um dos astros do movimento jovem guarda juntamente com ROBERTO E ÉRAMOS CARLOS  jerry sempre foi querido por todos os artistas do brasil e tinha amizade intima com muitos deles mas em especial com Vanderlei cardoso  tanto pouco tempo atrás jerry tinha um show há cumprir mas devido aos problemas com a saúde já decorrente de seus problemas com o câncer pediu para Vanderlei cobrir sua ausência,,,,,


A HISTORIA DO GRANDE ARTISTA

Nascido Jair Alves de Souza em 29 de janeiro de 1947 no Brás, na cidade de São Paulo, começou a sua vida profissional em 1964, com a gravação do seu primeiro LP Italianíssimo e no mesmo ano gravou seu segundo LP, Credi a Me.
Em 1965, gravou Um Grande Amor, o primeiro LP em português. Tornou-se apresentador do programa Excelsior a Go Go, na antiga TV Excelsior de São Paulo, ao lado do comunicador Luís Aguiar; apresentava músicas dos Vips Os Incríveis, Trini Lopez, Cidinha Campos, entre outros.
Entre 1967 e 1968, já na TV Tupi de São Paulo, passou a apresentar A Grande Parada, ao lado de artistas, como Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marília Pera Era um musical ao vivo que apresentava grandes nomes da música popular brasileira.
Em 1969 recebeu o título de cidadão carioca.
Foi responsável pela ida de Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Eles eram amigos desde a época em que Raul tinha uma banda em Salvador, chamada Raulzito e os Panteras que posteriormente foi a banda de apoio de Jerry durante três anos.[Entre as músicas que a banda tocava, ambas compostas por Raulzito, estão "Tudo Que É Bom Dura Pouco", "Tarde Demais" e "Doce Doce Amor"
Entre os anos de 1969 a 1971, Raul Seixas foi seu produtor, até iniciar a carreira solo.[2]
Na década de 1970, fez shows na Venezuela  Peru, Estados Unidos, México, Canadá e outros países.
Em 1975, participou de um musical no Hotel Nacional, denominado Brazilian Follies, dirigido por Caribe Rocha, ficando um ano e meio em cartaz.
No começo da década de 1990 gravou um disco que trazia de volta as origens do Rock in Roll, com o tema "Elvis Vive", um tributo a Elvis, sendo este o 24º disco da sua carreira.
Em 1994, a convite de Cecil Thiré, participou da novela 74.5: Uma Onda no Ar, produzida pela TV PLUS e exibida pela Rede Manchete1, exibida também em Portugal, com grande sucesso. Em 1999 lançou o disco “Forza Sempre” gravado só com músicas da banda Legião Urbana em italiano.Foi um de seus maiores sucessos na carreira pós Jovem Guarda atingindo a marca de 200 mil cópias. A canção “Santa Luccia Luntana” foi incluída na trilha sonora da novela “Terra Nostra”.
Pelos seus 70 anos, ele participou de três episódios do programa de televisão italiano "MilleVoci" por Gianni Turco, que irá ao ar em junho de 2017.
Era pai de três filhos: Thiago, Tadeu e Joseph.


A TRISTE PERDA
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Em 10 de abril de 2017, a família de Jerry Adriani anunciou que ele foi diagnosticado com um câncer e que o tratamento estava sendo iniciado. Não foram divulgados maiores detalhes sobre a doença. Jerry morreu em 23 de abril de 2017, no Hospital Vitória da Barra da Tijuca na cidade do Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju

Jerry Adriani (Foto: Thiago Queriroz/Estadão)





o Blog Elvis The Man deixa aqui esta homenagem mais que merecida para este grande artista e grande ser humano e é claro mais que fã do Mega astro Elvis Presley



VÁ EM PAZ E OBRIGADO POR TUDO JEERY QUE DEUS O RECEBA E DE  O CONFORTO PARA TODA SUA FAMILIA

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ASS DIEGO ELVIS

quinta-feira, 20 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 18

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 18


Cada vez que eu me aprontava para ir ao encontro de Elvis em Los Angeles, ele apresentava uma alegação qualquer para adiar a visita.

— Este não é o momento mais conveniente, Baby. Estamos com um problema nas filmagens.

— Que problema?

— O caos por aqui é total. Tenho um diretor maluco que está perdidamente apaixonado por Ann. Pela maneira como ele está dirigindo, dá para pensar que o filme é todo dela. Ele está favorecendo Ann em todos os closes. — Elvis fez uma pausa, sua raiva aumentando. — E não é só isso: querem também que ela cante algumas canções comigo. O Coronel ficou furioso. Disse que eles terão de me pagar um extra para cantar com ela. Enquanto escutava a arenga de Elvis, tentei me compadecer de sua situação. Mas, emocionalmente, estava mais preocupada com a estrela do filme do que com o diretor.

— Como está se dando com Ann Margret? — perguntei.

— Acho que ela é uma boa garota.

Elvis descartou o assunto com a expressão "uma típica starlet de Hollywood". Minha preocupação foi temporariamente atenuada. Eu sabia que ele sempre encarava as atrizes de maneira desfavorável, chegando mesmo a comentar:

— Elas estão mais interessadas em suas carreiras e o homem fica em segundo plano. Não quero ser o segundo para qualquer coisa ou qualquer pessoa. É por isso que você não precisa se preocupar com a possibilidade de eu me apaixonar pelas atrizes que trabalham comigo.

Eu queria acreditar, mas não podia ignorar as notícias na imprensa sobre o romance, segundo os rumores, não era entre Ann-Margret e o diretor, mas sim entre Ann-Margret e Elvis.

Uma noite em que estávamos conversando pelo telefone perguntei abruptamente:


— Tem algum fundo de verdade?

— Claro que não — respondeu Elvis, caindo na defensiva no mesmo instante. — Você sabe como são esses repórteres. Adoram ampliar qualquer coisa. Ela apenas aparece por aqui nos fins de semana, em sua motocicleta. Brinca um pouco com a turma e depois vai embora. Isso é tudo. Mas era suficiente para mim: Ann-Margret estava lá e eu não. Enfurecida, declarei:

— Quero ir para aí agora!

— Agora não é possível. Estamos terminando o filme e voltarei para casa dentro de uma ou duas semanas. Mantenha-se aí e trate de conservar aceso o fogo da paixão.

— A chama está ardendo muito baixa. É melhor alguém voltar logo para casa e atiçar o fogo.

Elvis soltou uma risada.

— Você está começando a parecer comigo, Baby. É melhor eu tomar cuidado. Não pode haver dois de nós neste mundo. Voltarei em breve, querida. Mantenha tudo pronto.

Ao final do telefonema, comecei a planejar ansiosamente os preparativos para o seu retorno. Peguei minha agenda, contei os dias que faltavam para sua volta, passei a riscar um de cada vez. Ameaçada por dúvidas e apreensões, eu fazia tudo o que podia para agradá-lo, de instruir-me sobre a música evangélica que ele adorava a cuidar de Graceland da melhor maneira possível.

Minha ansiedade em agradar Elvis era tão intensa que quase o irritava. Ele sempre tinha uma desculpa para que os seus outros relacionamentos não tivessem dado certo:

— Elas eram muito simples e não podiam se adaptar ao meu estilo de vida em Hollywood ou então atrizes muito preocupadas com suas carreiras.

Mas como ele podia escapar de um relacionamento com uma parceira tão submissa como eu? Muitas vezes sentia pena de mim mesma e ficava com raiva de Elvis por me deixar numa situação em que era forçada a ficar sozinha por semanas a fio.


ELVIS E EU

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Entediada, resolvi explorar o sótão de Graceland. Eu perguntara um dia a Vovó o que havia lá em cima e ela respondera:

— Nada demais, meu bem, apenas algumas velharias. Há séculos que não subo lá. Não há como saber o que tem lá em cima... ou quem. Não podia haver a menor dúvida de que algo estranho ocorria no sótão. Muitas noites se podia ouvir ruídos, permanecendo acordada, orando para a manhã chegar logo, antes de fechar os olhos para dormir. Ela imaginava que podia ser o espírito de Gladys, velando por Elvis.

— Acredita em espíritos, Vovó?

— Claro, meu bem. Às vezes vagueio pela casa e posso sentir os espíritos ao redor. Pergunte a Hattie. Ela sabe. Também já sentiu a presença dos espíritos.

Hattie era uma preta enorme, nossa fiel e devotada companheira. Ficava com Vovó e comigo à noite, quando Elvis estava ausente, guardando-nos com sua própria vida... e com uma pequena pistola que punha debaixo da cama todas as noites.

Uma noite, depois que Hattie apagara as luzes, perguntei-lhe abruptamente:

— Hattie, também acha, como Vovó, que há espíritos lá em cima?

— Tudo o que posso dizer, Srta. Priscilla, é que escuto vozes estranhas, como nunca ouvi antes em todas as casas em que já estive. E às vezes fica tudo quieto por aqui, um silêncio como também nunca conheci antes. Mas não precisa se preocupar, menina. Se há espíritos nesta casa, não vão lhe fazer mal algum.

— Amém — disse Vovó.

No dia seguinte resolvi subir ao sótão, a fim de descobrir o que havia lá em cima. Enquanto subia, com a mão no corrimão dourado, percebi que a tinta estava lascada e gritei:

— Não acha que devemos pintar isto aqui, Dodger?

Vovó, parada na base da escada, levantou os óculos escuros para ver melhor.

— Tem razão, meu bem, é melhor falarmos com Vernom.

Está mesmo horrível.


— Talvez fosse melhor providenciar a pintura antes de Elvis voltar, a fim de lhe fazer uma surpresa. Falarei com o Sr. Presley amanhã de manhã. Terminei de subir a escada e entrei no sótão, descobrindo o mundo de Elvis.

Havia várias arcas, com os seus equipamentos militares. Havia velhos aparelhos de televisão e móveis antigos, que estavam em seu quarto anos antes. Passei a mão por um sofá, especulando quem teria sentado ali. Invadida pelo ciúme, afastei-me.

Encontrei dois armários, lado a lado. Abri um. Estava repleto com roupas velhas de Elvis — Blusões de couro, quepes de motociclista, uma camisa rosa que eu vira em fotografias. Adorava a maneira como ele ficara com aquela camisa rosa e desejei que a usasse de novo. Com uma curiosidade crescente, vasculhei tudo. Sentia-me mais próxima de Elvis apenas por tocar em seus pertences. Mas, durante todo o tempo, pensava numa coisa: quem estava com ele na ocasião, Dixie, Judy, Anita, Bonnie? Eu era possessiva, precisava saber.

E depois encontrei algumas cartas, escondidas por baixo de uma suéter velha. Eram cartas de Anita escritas quando Elvis se encontrava na Alemanha até sua partida. Passei horas sentada ali, lendo uma a uma. Anita escrevera pelo menos duas cartas por semana, todas dizendo basicamente a mesma coisa: ela o amava, sentia muita saudade e estava contando os dias para sua volta... exatamente como eu fizera. Ela estava no processo de conquistá-lo como um amante na ocasião em que eu o perdia. Parecia evidente que Elvis lhe dizia que era a única mulher em sua vida. Confusa e magoada, compreendi que ele escrevera durante todo o tempo para sua "Little Bit", como a chamava, dizendo que estava ansioso em voltar e revê-la, ao mesmo tempo em que me abraçava ternamente e me assegurava que não podia suportar a idéia de deixar a sua "Little Girl", a sua garotinha.

Senti-me traída, como tenho certeza de que também aconteceu com Anita, ao tomar conhecimento da minha existência. Voltando ao sótão no dia seguinte para investigar o outro armário, encontrei os pertences de Gladys — suas roupas, fotografias antigas e papéis. Era estranho todas aquelas roupas penduradas com extremo cuidado. Eu sabia que fora Elvis


ELVIS E EU

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quem as pusera ali. Ele não fora capaz de se desfazer de qualquer dos pertences da mãe.

Experimentei um dos vestidos e compreendi que ela gostava de tecidos macios sobre a pele, como eu também gostava. Pelo tamanho do vestido, percebi que era uma mulher grande; pela textura, conclui que estava mais preocupada com o conforto do vestido do que com a moda ou elegância. Ela gostava de se vestir com simplicidade e conforto. Senti-me culpada em seu vestido, mas isso também me proporcionou uma noção melhor de Gladys Presley: uma mulher, como Vovó a descrevera, de coração de ouro... mas que era melhor nunca irritar. Quando ficava furiosa, "podia praguejar como um marinheiro e exibia a ira de Deus". Sentia-me triste — por Elvis, por Gladys, por todos nós — porque tínhamos de enfrentar a morte. A vida poderia ser muito diferente se Gladys ainda estivesse viva, pensei, chorando como se ela fosse minha própria mãe. Podia sentir a presença de Gladys naquele sótão, assim como seu sofrimento e solidão. Talvez fosse o espírito dela que Vovó e Hattie sentiam.

Subitamente, o rosto de Hattie apareceu na porta do sótão. Nós duas soltamos um grito de susto e indagamos ao mesmo tempo:

— O que você está fazendo aqui em cima?

— Criança, não deveria vir aqui. Tem muitas lembranças tristes. Além do mais, é escuro e assustador. Só subi porque Miss Minnie estava preocupada com você.

Depois, enquanto se afastava, acenando com as mãos por cima da cabeça, Hattie murmurou:

— Não gosto nada deste lugar.




ELVIS E EU





CONTINUA,,,,,,,,,,

 
 
 




LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 17

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 17


A teoria do Coronel Parker era simples: Se você quer ver Elvis Presley, compre um ingresso." A partir do momento em que se começava a distribuir entradas gratuitas, perdia-se uma receita considerável. Ele apegou-se a essa política até o dia em que Elvis morreu. Elvis concordava plenamente, convencido de que o Coronel sabia o que era melhor. E dizia:

— O Coronel não se importa de arcar com a culpa. Quando a vida começava a se tornar tediosa, podia-se contar com Elvis para inventar uma nova aventura. Ele era extraordinariamente inventivo. Num dia particularmente melancólico ele decidiu de repente que não gostava da aparência de uma velha casa localizada nos fundos da propriedade, por trás da mansão. Seu tio Travis ocupara outrora a casa, que agora era usada como depósito. Elvis contemplou-a em silêncio por um longo tempo, depois chamou o pai e disse-lhe que providenciasse um trator para demolir a casa.

Pude imaginar o que se passou pela cabeça de Vernon: Santo Deus, o que ele está querendo agora? Vernon sabia que se Elvis ficava em casa entediado, nos intervalos entre os filmes, qualquer coisa podia acontecer. Quando o trator apareceu, Elvis insistiu que poderia guiá-lo, convencendo o pai — e os representantes do departamento de demolições e do corpo de bombeiros — de que poderia realizar todo o trabalho pessoalmente.

Usando seu capacete de futebol americano e um casaco peludo de esquimó, Elvis entrou em ação, sob as aclamações do círculo íntimo, derrubando a casa e depois incendiando-a. Isso atraiu os caminhões dos bombeiros aos portões, com as sirenes ligadas.

— Chegaram

um pouco atrasados — disse-lhes Elvis, com um sorriso feliz e malicioso.


Em outra ocasião, ele ordenou que seus Karts fossem aprontados para uma corrida. Elvis, é claro, detinha o record da volta mais rápida pelo caminho circular.

Tentando provar que era tão boa quanto os rapazes, eu me esforcei em igualar o seu tempo. Apavorada, fui aumentando a velocidade, enquanto Elvis marcava o tempo com um cronômetro, concedendo-me um sorriso de aprovação quando alcancei a velocidade de 25 quilômetros horários.

— Ele transformava Graceland num parque de diversões para nós. Promovia concursos de tiro ao alvo e também "corridas da emoção", em que várias pessoas se amontoavam pelo terreno, em alta velocidade. O quintal dos fundos de Graceland tinha mais buracos do que a lua tem crateras — tudo das lutas de pistolões. No Quatro de julho Elvis sempre gastava uma fortuna em fogos de artifício, que chegavam de caminhão. Os rapazes se dividiam em dois grupos e miravam os rojões uns contra os outros.

Embora houvesse baixas — dedos queimados, cabelos chamuscados — ninguém parecia se importar. O próprio Elvis se mostrava tão despreocupado quanto um garotinho, escondendo-se e depois esgueirando-se contra o grupo adversário em ataque de surpresa. Elvis sabia como se divertir. E eu adorava aqueles momentos.

Infelizmente, chegou o momento em que ele tinha de voltar a Hollywood. Deveria iniciar seu novo filme, Viva Las Vegas. O ônibus foi estacionado na frente dos leões brancos de pedra que flanqueavam os degraus da frente de Graceland, devidamente carregado e pronto para partir.

Eu detestava a idéia se Vê-lo partir. De braços dados, saímos pela porta. Subitamente, puxei-o para trás e tentei dizer o que estava sentindo, mas havia muitas distrações ao redor — pessoas se despedindo, a música tocando alta no interior do ônibus, Alan gritando para George Klein aumentar o volume.

Pensei: Se ao menos fosse um pouco mais sossegado, se Elvis pudesse me levar para um canto e tivéssemos alguma privacidade... Mas a atenção


ELVIS E EU


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de Elvis se concentrava em toda a atividade e ele estava contagiado pelo excitamento de voltar ao trabalho.

— O que é, Baby? — perguntou ele.

— Eu apenas gostaria que você não partisse tão cedo — murmurei, ainda incapaz de dizer o que estava realmente pensando. — Logo agora que estávamos começando a nos acostumar um ao outro, você tem de ir embora. Eu gostaria que tivéssemos mais tempo.

— Sei disso, garotinha. Dê-me duas semanas para iniciar o filme e talvez você possa passar algum tempo comigo em Hollywood. Agora, seja uma boa menina. Telefonarei amanhã.

Ele me deu um beijo rápido nos lábios e embarcou no ônibus, a porta se fechando no instante seguinte. E logo ouvi o grito familiar:

— Muito bem, vamos embora!

O ônibus desceu a encosta e passou pelo Portão da Música, onde suas fãs, como sempre, lealmente acenavam em despedida e o exortavam a "voltar depressa para casa".

Fiquei observando até que não podia mais ver as luzes vermelhas traseiras, desaparecendo na Rodovia 51. Censurando-me, especulei por que não fora capaz de lhe dizer o que temia. Estava transtornada desde que soubera que a estrela do novo filme seria Ann-Margret, a starlet em ascensão mais rápida de Hollywood. Ann-Margret fizera apenas uns poucos filmes, inclusive Bye Bye Birdie, mas já fora apelidada de "Elvis Presley de saia". Elvis estava curioso em relação a ela, tendo comentado que "a imitação é a forma mais sincera de lisonja". Compreendi que se lhe revelasse meus temores, ele podia não dizer nada para me tranqüilizar. Uma noite ele cometera o erro de me falar sobre os seus romances com diversas estrelas de seus filmes.

Tentando escutar as histórias, justificara seu comportamento dizendo a mim mesma que eu residia na Alemanha na ocasião e não havia vínculos reais entre nós.

Agora, no entanto, eu me encontrava em seu próprio território, morando em sua casa, com os amigos, a família e as lembranças do passado. Não me ocorreu então, mas estava vivendo justamente como Elvis queria — longe da sociedade de Hollywood, a namoradinha que ele
 
deixava em casa. Tratei de me adaptar. Não estava em sua companhia, mas de certa forma continuava ao seu lado. E presumi que Elvis seria tão fiel a mim quanto eu era a ele.

Por que então tinha tanta certeza de que no instante em que Elvis estivesse longe de mim — e perto de Ann Margret — surgiria um romance entre os dois?
 


ELVIS E EU


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CONTINUA,,,,,,,,,,,

 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Priscilla Presley revela última conversa com Elvis Presley

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turma todos sabem que o livro ELVIS E EU esta sendo postado aqui e pegando carona neste assunto deixo com vocês esta pequena mas interessante matéria onde Priscilla ex esposa de Elvis conta em detalhes a ultima conversa com O REI 


Priscilla Presley revelou detalhes da última conversa que teve com o ex-marido Elvis Presley, dias antes da morte do cantor, em 1977.



Priscilla, casada com Elvis por seis anos até o casal se divorciar amistosamente, em 1973, disse em entrevista ao apresentador de TV britânico Jonathan Ross que estava preocupada com o bem estar do ex-marido, mas que era incapaz de ajudar.
“Conversamos alguns dias antes de ele falecer, o que foi muito difícil, [eu estava] perguntando se ele estava bem e se estava empolgado para sair em turnê, e ele estava”, lembra ela.
“Ele amava o trabalho, mas estava lidando com várias questões... decisões que tinha de tomar... então não era fácil.”
Admitindo estar preocupada com o ex-marido, ela diz: “Eu estava [preocupada], mas Elvis, ele achava que estava bem.
Ele não era o tipo de pessoa para quem você pudesse simplesmente dizer: ‘Você tem de se cuidar...’ Era difícil para todo mundo fazer alguma coisa, porque no final das contas a decisão era dele, e ele achava que estava bem.”
Falando sobre Elvis ao longo dos anos, depois da separação, Priscilla diz: “Era duro, Elvis ficava meio perdido e basicamente achava que estava envelhecendo. Ele estava lidando com várias questões, se isolando, e era difícil, sim.”
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Priscilla conheceu Elvis quando era adolescente. O cantor estava na Alemanha, como o Exército americano. Surpreendentemente, houve poucas reações quando ele levou a jovem amante de volta para sua casa, em Memphis.
Priscilla morou em Graceland até o casamento, em Las Vegas, no ano de 1967.
Ela falou a Jonathan Ross sobre essa época da vida, admitindo que perdeu muito da adolescência à sombra do marido superstar:
“Você começa a ser perder, e as pessoas sempre queriam, e ainda querem, saber dele, e entendo isso agora melhor do que quando era mais nova.
Estava meio perdida em relação a quem eu era, não tive adolescência, aprendi muito sobre ele e passei tanto tempo com ele que pensava como ele, sabia do que ele gostava, do que ele não gostava, sabia o que ele estava pensando, sabia tudo o que se pode saber quando você vive com alguém sendo tão jovem...
Hoje em dia estou muito mais à vontade em relação a isso, porque agora sei quem sou e sou capaz de falar sobre o assunto.”
Priscilla também revela que Elvis era “germofóbico”: “Uma das coisas que ele fazia – principalmente quando era mais novo – ele não gostava de ir à casa das pessoas porque não gostava de comer com os talheres dos outros”.
 
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“Então ele levava os próprios talheres. Ele não gostava de beber da xícara copo dos outros, até mesmo em restaurantes ou na casa de outras pessoas. Ele sempre bebia do lado da asa da xícara, sabendo que ninguém faria a mesma coisa.”
“Ele era meio germofóbico, então?”, pergunta Jonathan.
“Sim, um pouco”, responde Priscilla. “Ele não gostava de ficar perto de coisas que eram muito manipuladas por outras pessoas... Ele era assim quando pequeno, quando era criança...
Acho que ele não gostava de colocar a boca onde outras pessoas colocavam a boca, talheres, esse tipo de coisa que você leva à boca.”
Falando sobre o momento em que soube da morte de Elvis, Priscilla admite que ficou “absolutamente devastada, até hoje é difícil acreditar”.
Os outros convidados de Jonathan Ross foram Elvis Costello, Danny Dyer e Rob Beckett, com performance do Caravan Place. O programa foi exibido pela rede ITV no dia 31 de outubro.
 
 
 
 
 
FONTE DE INFORMAÇOÉS
 
 Brasil Post
 
 
FOTOS DIEGO ELVIS ARQUIVO PESSOAL

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 16

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 16


Qualquer coisa que eu podia pensar em fazer por Elvis, sempre fazia. Cuidava para que Graceland estivesse sempre aconchegante, com as luzes reduzidas, como ele preferia, a temperatura em seu quarto no nível em que gostava (congelando), a cozinha exalando o aroma de seus pratos prediletos.

Todas as noites, antes do jantar ser servido, eu descia primeiro, conferia com as criadas se a comida estava exatamente do jeito que ele apreciava — o purê de batata cremoso, bastante broa de milho, a carne bem passada, à perfeição. Sempre tinha velas na mesa de jantar para criar um clima romântico, apesar de sempre comermos com várias pessoas do círculo íntimo.

Eu adorava mimar Elvis. Ele possuía uma qualidade de menino que podia despertar o instinto maternal em qualquer mulher, um jeito fascinante de parecer totalmente dependente. Era esse aspecto de seu charme que me fazia querer abraçá-lo, lutar por ele, até mesmo morrer por ele. Eu ia a extremos nesses cuidados, cortando sua carne ao jantar e providenciando para que seu copo estivesse sempre cheio de água. Adorava mimá-lo e sentia ciúme quando outros disputavam a sua atenção e aprovação.

Mas nem sempre eu recebia sua aprovação. Se alguma coisa saía errada com o jantar, Elvis explodia:

— Por que este bife não está bom? Por que não cuidou para que as cozinheiras fizessem tudo direito? Se você tivesse feito seu trabalho, não estaria assim.

Era evidente que havia mais alguma coisa errada, só que na ocasião eu não percebia. Por cauda das contínuas pressões e problemas na vida de Elvis, tudo agravado pelas drogas que ele tomava, as pequenas coisas podiam levá-lo a uma explosão. Eu assumia a responsabilidade por tudo em sua vida e sempre levava as coisas em caráter muito pessoal.


Eu queria estar junto de Elvis tanto quanto pudesse; ir ao cinema ou ao parque de diversões todas as noites podia ser uma maneira maravilhosa de ele relaxar, mas constituía um tremendo problema para mim. Muitas vezes só chegávamos em casa às cinco ou seis horas da manhã e duas horas depois eu tinha de estar na escola. Havia ocasiões em que eu nem dormia. E quando isso acontecia, mal conseguia sair da cama. Ficava deitada, tentando reunir força necessária para enfrentar o dia. Elvis tornava a situação ainda pior ao sugerir que eu dormisse e não fosse à escola.

Seria muito fácil aceitar a sugestão, mas não podia esquecer o acordo que fizera com meus pais. Eles confiavam em mim; embora não estivesse correspondendo ao que esperavam, ainda tinha de manter a fachada. Dia após dia eu ia à escola, estudava até meio-dia, depois voltava a Graceland para me deitar e me aconchegar junto de Elvis, que ainda estava profundamente adormecido. Quando ele acordava, às três ou quatro horas da tarde, podia ter a impressão de que eu nunca saíra de seu lado. Estava sempre ali para providenciar seu suco de laranja, a omelete espanhola, batatas fritas, bacon e — acima de tudo e o mais importante — o café puro. Todos os íntimos de Elvis sabiam que ele precisava de pelo menos duas ou três horas para acordar plenamente. Pedir-lhe para tomar uma decisão antes disso, até mesmo algo simples, como qual o filme que gostaria de assistir naquela noite, era uma imprudência.
Ele ainda estava muito atordoado e irritado das pílulas para dormir, que o faziam dormir até quatorze horas por dia. Parecia assim perfeitamente natural que ele tomasse Dexedrine para despertar por completo. Eu estava sempre preocupada com a quantidade de pílulas para dormir que Elvis tomava. Seu horror à insônia, agravado pela história


familiar de preocupação compulsiva, levava-o a tomar três ou quatro Placidyls, Seconals, Quaaludes ou Tuinals quase sempre todas as noites... muitas vezes até uma combinação de todas as quatro pílulas. Quando eu manifestei minha preocupação, ele pegou o dicionário médico, sempre à mão na mesinha-de-cabeceira, e disse:


— Aqui tem uma explicação para todos os tipos de pílulas no mercado, seus ingredientes, efeitos colaterais, curas, tudo enfim. Não há nada que eu não possa descobrir.

Era verdade. Elvis estava sempre lendo pílulas, sempre conferindo o que havia no mercado, quais as novas drogas que recebiam aprovação das autoridades competentes. Referia-se às pílulas por seus nomes médicos e conhecia todos os ingredientes. Como todas as pessoas que o cercavam, eu me impressionava com o seu conhecimento e estava convencida de que ele era um experto. Podia-se até pensar que era formado em farmacologia. Elvis sempre me garantia que não precisava das pílulas, que nunca se tornaria dependente. Essa diferença de opiniões sempre resultava em confrontações sérias; e eu sempre acabava cedendo em minha integridade e aceitava seu ponto de vista.
Comecei a tomar pílulas para dormir e também pílulas de dieta. Dois Placidyls para ele e um para mim. Um Dexedrine para ele e um para mim. O consumo de pílulas por Elvis acabou parecendo tão normal para mim quanto observá-lo comer uma enorme quantidade de bacon com sua omelete espanhola. Passei a tomar as pílulas rotineiramente, a fim de conseguir dormir, depois das incursões frenéticas ao parque de diversões ou jam sessions durante a madrugada. E rotineiramente, tomava outras pílulas quando acordava, a fim de manter o ritmo vertiginoso e, o que era mais importante, estudar para os exames finais.

Durante o último mês antes das provas comecei a tomar mais Dexedrines do que antes. Pareciam me proporcionar a energia de que precisava para assistir às aulas e fazer os deveres de casa. Cada momento de folga era devotado a espremer em poucas semanas todo o trabalho de um semestre inteiro. Mas minha concentração era insuficiente; o ritmo de vida em Graceland finalmente cobrava o seu tributo.


ELVIS E EU


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Eu já fora informada pela Irmã Adrian que teria de passar em todas as matérias para me formar. Durante uma conversa em seu gabinete, senti vontade de lhe confidenciar, explicando que era impossível tirar boas notas quando dormia tão pouco. Mas como poderia contar isso a uma freira?

Eu não tinha objetivos concretos depois de me formar, mas às vezes sonhava em me tornar uma bailarina ou talvez me matricular numa academia de arte. Compreendo agora que estava profundamente influenciada pela atitude indiferente de Elvis em relação a meus estudos. Ele achava que eu não precisava continuar a estudar, obtendo a minha concordância. Apenas estar em sua companhia durante a maior parte do tempo já proporcionava uma instrução — para não falar em experiência — que nenhuma escola poderia oferecer. Elvis queria que eu lhe pertencesse totalmente, disponível para ir ao seu encontro num instante, se precisasse de mim.
Isso me parecia maravilhoso. Jamais planejara um futuro sem Elvis. Por isso, enquanto minhas colegas de turma decidiam para qual universidades se candidatariam, eu estava preocupada com os sapatos que melhor combinariam com um vestido de lantejoulas. Sentia-me tentada a dizer à Irmã Adrian: "Por falar nisso, Irmã, acha que cinza-metálico combina com lantejoulas azuis?" Com essa atitude, não era de surpreender que eu ainda estivesse lamentavelmente despreparada para a mais odiada de todas as matérias, álgebra, na semana anterior às provas finais. No dia da prova sentei na sala apinhada, excitada pelo Dexedrine que tomara, tentando resolver os problemas. Apesar do meu esforço, sabia que não tinha a menor possibilidade de passar. Comecei a entrar em pânico. Tinha de me formar. Era uma obrigação para com Elvis e meus pais, que me tirariam de Graceland no instante em que eu fosse reprovada. Olhei para a garota ao meu lado... e para sua prova concluída. É o meu último recurso, pensei. E é o que vou fazer. Não estava disposta a enfrentar as conseqüências de ter de voltar para casa por ser reprovada naquela matéria. O nome dela era Janet, uma das melhores alunas da turma. Bati em seu ombro e exibi meu sorriso mais cativante, sussurrando:


— Você é fã de Elvis?



Aturdida por minha pergunta, ela se limitou a balançar a cabeça afirmativamente. Acrescentei:

— Gostaria de ir a uma de suas festas?

— Está brincando? — murmurou ela. — Eu adoraria!

— Pois tenho um jeito de conseguir isso. Olhei para sua prova e expliquei tudo. Janet compreendeu meu dilema no mesmo instante. Sem dizer mais nada, empurrou sua prova para a beira da mesa. Eu podia agora ver suas respostas.

Passei o resto da hora copiando tudo. Não apenas fui aprovada, mas também tirei a nota máxima na prova.

Eu não esperava que Elvis fizesse alguma coisa por minha formatura.

Sua atitude era radical:

— Um diploma não é tão importante; o que interessa são as experiências da vida.

Para minha surpresa, no entanto ele estava extremamente satisfeito e promoveu uma grande festa para os nossos amigos, depois da cerimônia. Presenteou-me com um lindo Corvair vermelho, meu primeiro carro. Na grande noite ele se comportou como um pai orgulhoso. Nervoso pela roupa que deveria usar na cerimônia, acabou escolhendo um terno-marinho. Não conseguiria manter o capelo sobre aquela massa de cabelos armados. Elvis mandara a limusine nos esperar na frente da casa. Mas havia um problema: eu não queria que ele fosse à cerimônia. Atrairia muita atenção e todos os olhares se desviariam dos formandos. Finalmente tomei coragem suficiente para pedir-lhe que esperasse lá fora e expliquei o motivo. Exibindo o seu sorriso irônico, o que sempre exibia quando estava perturbado ou magoado, ele concordou sem a menor hesitação.

— Eu não tinha pensado nisso. Você tem razão. Não vou entrar. Ficarei esperando no carro. Dessa forma, estarei mais ou menos com você lá dentro.

E foi o que aconteceu. Recebi o diploma com emoções confusas. Teria adorado que Elvis estivesse assistindo, mas somente eu sabia o quanto aquele pedaço de papel me custara em termos de esforço físico, emocional e mental. Para mim, representava a liberdade... liberdade de ficar acordada


até o amanhecer, se quisesse, liberdade para dormir o dia inteiro, se quisesse.

Representava a libertação do uniforme da escola e das brincadeiras do círculo íntimo sempre que me via a usá-lo em Graceland. Eu era agora uma garota crescida, passando a jogar no time principal. Assim que pude, corri para fora. Na frente da igreja, Elvis e os rapazes estavam parados em torno da limusine, parecendo a Máfia de Chicago, com seus ternos e óculos escuros, todos armados com um 38. Um grupo de freiras cercava Elvis, todas pedindo seu autógrafo.

Quando ele me viu, começou a aplaudir, no que foi acompanhado pelos rapazes. Abraçando-me, ele declarou que estava muito orgulhoso. Pediu-me para desenrolar o diploma, a fim de se certificar de que eu realmente me formara.

Agora eu podia passar cada minuto em companhia de Elvis. Havia ocasiões em que nos isolávamos do resto do mundo por dias a fio. Elvis avisava que não atenderia nenhum telefonema, "a menos que seja papai ou uma ligação de emergência do Coronel". Era o meu momento e ninguém podia interferir. Ele era todo meu.

Quando tínhamos fome, eu ligava para a cozinha e pedia comida, que era deixada do lado de fora da porta do quarto. Depois de comermos, empilhávamos as travessas vazias no mesmo lugar. Não víamos ninguém... nem mesmo a luz do dia. As janelas estavam isoladas por papel laminado e cobertas por cortinas grossas e escuras, a fim de impedir que qualquer claridade entrasse. O tempo era nosso, para fazermos o que quiséssemos, enquanto nos aprouvesse. Elvis tinha alguns meses de folga no intervalo entre filmes e não havia qualquer pressão para o seu retorno a Hollywood. Sempre parecíamos estar apaixonados quando ficávamos a sós. Eu adorava aqueles momentos em que ele era apenas Elvis, não tentava corresponder a uma imagem ou um mito. Éramos simplesmente duas pessoas tentando descobrir uma à outra.

Somente na privacidade de nossos aposentos é que Elvis me mostrava um lado seu que raramente era visto pelos outros, se é que alguma vez.
 


ELVIS E EU



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Sem o Coronel, sem roteiros, sem filmes ou música, sem os problemas dos outros, Elvis podia se tornar outra vez um garotinho, escapando das responsabilidades com a família, amigos, fãs, imprensa e o mundo. Ali, comigo, ele podia ser vulnerável e infantil, um garoto alegre, que passava dias a fio de pijama.

Um dia ele era o dominante e me tratava como uma criança, muitas vezes me repreendendo por qualquer ação inconseqüente. Em outros dias eu era a mais forte, cuidando dele como uma mãe amorosa, cuidando para que comesse tudo em seu prato, tomasse todas as vitaminas e não perdesse qualquer dos seus programas de televisão prediletos, como Laugh-In, The Untouchables, The Wild, Wild West, The Tonight Show e Road Runner. Escutávamos o canto do evangelho pela televisão nas manhãs de domingo

— nossos prediletos eram os Stamps, Heppy Goodman Family e Jake Hess — e assistíamos aos velhos filmes clássicos, que Elvis adorava, como O Morro dos Ventos Uivantes, De Ilusão Também se Vive e It's a Wonderful Life.

Choramos até dormir por causa de The Way of All Flesh, a história de um banqueiro que planeja levar uma quantia vultosa para fora do estado, apenas para descobrir ao acordar na manhã seguinte que foi roubado. Perdendo tudo, ele passa a vaguear pelas ruas, entre os mendigos, um pária. Anos depois, numa noite de Natal, ele chega à sua cidade natal e espia pela janela para ver a esposa e os filhos, agora crescidos, abrindo os seus presentes. Percebendo a sua presença, mas sem reconhecê-lo, a esposa se compadece do velho solitário e o convida a partilhar a noite com a família. Ele recusa, afastando-se sozinho pela rua coberta de neve. Elvis indentificava-se tão profundamente com a história que pensava em produzir uma refilmagem. Tencionava lançar Vernon no papel principal. Havia outros filmes que também assistíamos com freqüência — Mr. Skeffington, com Bette Davis e Claude Rains, Os Miseráveis, com Charles Laughton, Fredric March e Rochelle Hudson, e Letter from an Unknown Woman, com Joan Fontaine.

Quando não estávamos assistindo a um filme, fazíamos brincadeiras tolas, como esconde-esconde, ou então nos empenhávamos em brigas de travesseiro, que muitas vezes terminavam em acaloradas discussões sobre



quem batera com mais força. As discussões eram geralmente joviais, mas percebi que podiam se tornar sérias, ainda mais depois que tomávamos pílulas para dieta.

Uma noite tomamos estimulantes e começamos a brigar, de brincadeira. Joguei um travesseiro em Elvis. Ele se esquivou e, rindo, jogou-o de volta. Joguei outro e mais outro e depois, sem lhe dar tempo de se recuperar, atirei um terceiro. O último acertou-o no rosto. Seus olhos faiscaram de raiva.

— Mas que merda! — explodiu ele. — Não tão rude! Não quero brincar com um homem!

Ele me agarrou pelo braço e me puxou para a cama. Enquanto explicava como eu atirara os travesseiros com força demais, Elvis acidentalmente atingiu-me no olho. Desviei a cabeça para o lado e levantei-me de um pulo, acusando-o de ter me atingido de propósito.

— Não sabe brincar sem ganhar, nem mesmo comigo! — gritei.

—Começou a bater cada vez com mais força. O que esperava que eu fizesse?

Fui para o meu quarto de vestir e bati a porta, enquanto o ouvia berrando:

— Você não é um Homem!

Naquela noite fomos ao cinema. Meu braço tinha uma equimose no lugar em que ele agarrara, o olho estava inchado, escuro. Para agravar a situação — e para me certificar de que ele se sentisse arrependido — usei uma venda sobre o olho. Todos brincaram comigo e Elvis gracejou:

— Não pude evitar. Ela tentou bancar a durona comigo e eu tinha de mostrar quem é que mandava.

Naquela noite ganhei um apelido: "Toughie", a durona. Apesar das brincadeiras, Elvis lamentou profundamente o incidente. Pediu-me desculpas na ocasião e por várias vezes nos dias subseqüentes.

— Sinto muito, Baby. Sabe que eu nunca a machucaria por qualquer forma, nunca poria a mão em você, não é mesmo? Foi um acidente.

Mas a verdade é que o incidente deixou-me assustada. Daquele momento em diante, passei a tomar cada vez menos pílulas, até
 
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que parei por completo. Tentei persuadir Elvis a fazer a mesma coisa. Comecei a questionar as quantidades, embora soubesse que ele tinha várias doenças que exigiam medicamentos. Fiz tudo o que podia por Elvis e partilhamos muitos momentos maravilhosos. Contudo, a sua objeção inflexível a parar de tomar as pílulas levou-me a concluir que podia haver um problema. Mas presumi que ele sabia o que era melhor para si mesmo.

ELVIS E EU





CONTINUA,,,,,,,,