Elvis 1956


quarta-feira, 12 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 8

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 8


Foi uma estranha experiência, fazer compras com uma pessoa que eu mal conhecia, ainda por cima um homem. Alan parecia tão contrafeito quanto eu, mas garantiu que encontraríamos alguma coisa. Ele conhecia bem as butiques e também me levou à Saks Fifth Avenue. Enquanto escolhia as roupas, pensei na minha outra preocupação: a carta diária que prometera a meus pais. Como explicaria os carimbos postais de Las Vegas? Não era possível. Mas podia escrever as cartas com antecedência, numerá-las de um a sete e pedir que Jimmy remetesse de Los Angeles diariamente. Meus problemas estavam resolvidos. A Las Vegas!

Naquela noite o gramado na frente da casa de Elvis estava fervilhando de atividade. Parecia haver gente por toda parte. O enorme ônibus que George Barris mandara fazer especialmente para Elvis estava no caminho. Gente entrava e saía, carregando malas, discos, um aparelho estereofônico, caixas de Pepsi-Cola. Todos os preparativos e agitação davam a impressão de que Elvis estava se mudando, mas na verdade ele sempre viajava assim. Elvis ainda tinha receio de voar — um medo que mais tarde superou-e sentia-se mais tranqüilo quando estava no volante. Como não sabíamos por quanto tempo ficaríamos, Alan e Gene Smith providenciaram tudo o que Elvis gostava, a fim de que ele pudesse se sentir tão confortável como se estivesse em casa. Eu me sentia feliz. Era a primeira vez que estaríamos juntos sem restrições ou horário para voltar. Pouco antes de meia-noite todos se reuniram em torno do ônibus; era o momento de se despedir de quaisquer visitantes que o círculo habitual deixaria para trás.


Elvis vestia camisa branca, calça preta, luvas pretas e o eterno quepe de iatista. Ao partimos, ele gritou pela janela:

— Vamos voltar!

Pegamos a estrada para Las Vegas, no estado de Nevada. Eu não sabia para onde estava indo, mas a perspectiva de aventura me fascinava. E também me sentia orgulhosa; Gene sentava à direita, eu no meio, Elvis ao


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volante. Soube que Elvis sempre preferia guiar à noite, pois era mais fresco e havia menos tráfego. Ele parecia adquirir uma vida intensa a noite. Havia uma enorme diferença entre o Elvis durante o dia e o Elvis noturno. Depois que o sol se punha, outra personalidade assumia o controle e naquela noite em particular ele estava em grande forma. Num intervalo entre filmes, longe do Coronel Parker, livre das pressões e responsabilidades, ele podia relaxar e se divertir.

A caminho de Las Vegas, escutávamos músicas, comíamos e bebíamos Pepsi. No banco da frente, Elvis e Gene pilheriavam em sua linguagem especial. Elvis dizia alguma coisa e Gene respondia com um absurdo total. Quando a conversa parava, os dois se lançavam em ataques de surpresa, socando um ao outro. Se Gene achava que acertara um bom golpe, saía correndo para o fundo do ônibus, sabendo que Elvis sempre se recuperava e partia em seu encalço.

As brincadeiras continuaram durante a maior parte da extenuante viagem através do deserto. Eu me sentia fora de sintonia com as piadas particulares e as brincadeiras glamorosas. Era evidente que a turma percebia cada ânimo de Elvis. Eu ainda não me ajustara.

Chegamos a Las Vegas por volta das sete horas da manhã. Eu estava cansada e dormia quando Elvis gritou:

— Estamos entrando em Las Vegas. Olhe ao redor... só se vê hotéis. É conhecida como a Cidade do Pecado. Não é isso mesmo, Smith? Gene murmurou uma de suas respostas absurdas e Elvis riu, como sempre. O lugar parecia sossegado. Havia muitos táxis, alguns carros e poucas pessoas cansadas andando pelas ruas. Notei que fazia muito calor para sete horas da manhã, ainda mais para o mês de junho.

Fomos nos hospedar no Sahara Hotel. Para meu espanto, apesar de tão cedo, havia muita gente por toda parte. Elvis apontou para o cassino, estrondoso com os sons ritmados das máquinas caça-níqueis, as campainhas e um ou outro grito das mesas de dados.

— Isso é normal? perguntei a ele.

— Você ainda não viu nada, Honey. Espere até a noite para ver como isto aqui fica.



Não seria fácil esperar. Apesar de cansada, eu estava fascinada, observando os jogadores agrupados em torno das várias mesas e dos caça-níqueis. Elvis pegou-me pelo braço.

— Vamos subir para o quarto, Baby. Teremos tempo suficiente para isso mais tarde. É melhor descansarmos um pouco agora.

Seguimos o carregador para a suíte. A comitiva de Elvis começou no mesmo instante a arrumar os cômodos a seu gosto. Abriram as malas, arrumando suas roupas no armário com todo cuidado, alinharam os sapatos pelas cores, levaram os artigos de higiene para o banheiro. Armaram na sala seu toca-discos e os alto-falantes, reduziram a intensidade das luzes para criar o ambiente certo, ligaram todos os aparelhos de televisão.

— Por que sempre fica com a televisão ligada? — perguntei a Elvis.

— Porque me faz companhia — explicou ele. — Quando está ligada, tenho a sensação de que há pessoas ao redor.

Ele detestava entrar num cômodo silencioso e logo adotei também o hábito de ligar a televisão sempre que entrava num cômodo. Uma hora depois todos se retiraram, deixando a suíte com a impressão de que estava ocupada há muito, cada coisa em seu devido lugar. Elvis deu boa noite a todos e avisou que não deveriam nos acordar muito cedo. Ele trancou a porta do quarto, despiu-se e foi para a cama. Quando deitei ao seu lado, notei que ele estava tomando algumas pílulas para dormir. Mas não dei muita atenção. Não sabia o suficiente para sequer desconfiar de alguma ameaça potencial.

Eu sentia uma felicidade absoluta. Finalmente podíamos passar uma noite inteira dormindo juntos. Elvis me fitou e disse:

— Pode acreditar nisso, Baby? Depois de tanto tempo, aqui está você. Quem poderia jamais imaginar que chegaríamos a isso? Não vamos nem pensar na sua volta. Agora, só devemos pensar em nos divertir. Pensaremos no resto quando chegar o momento. Suas palavras estavam começando a ficar, enroladas. As reações eram mais lentas.

Ele me abraçou firme, murmurando várias vezes:

— Estou contente por ter você aqui... E, depois... o silêncio.



Olhei para os vidros de pílulas na mesinha-de-cabeceira e compreendi que ainda tinha competição. Quando acordei, à tarde, olhei para Elvis e aconcheguei-me contra seu corpo o máximo possível. Ele me enlaçou, apertando-me enquanto dormia. Contemplei suas sobrancelhas, as pestanas pretas e compridas, o nariz perfeito, a boca linda, de lábios cheios. Depois de algum tempo, eu estava dolorida de me manter na mesma posição, mas não me mexi, pois não queria despertá-lo.

Pensei nas pílulas que Elvis tomara antes de dormir. Estava aturdida, mas pensei que Elvis devia saber o que era melhor para ele e decidi não me preocupar mais com isso. Ele deve ter sentido que eu o observava atentamente, porque de repente abriu os olhos e desatou a rir.

— O que está fazendo? Se eu não a conhecesse, diria que está tentando me lançar um encantamento.

— Não conseguia mais dormir — murmurei, embaraçada por ele ter me surpreendido a observá-lo. — Acho que estou excitada demais.

Sentando na cama, Elvis disse:

— A primeira coisa de que preciso, Baby, é de uma xícara de café puro. Aperte o número quatro no interfone diga a Billy para encomendar o nosso desjejum. Ele sabe o que eu gosto e você informa o que quer. Diga a ele que deve estar aqui dentro de meia hora e para cuidar que o café esteja bem quente.

Saindo da cama, ele ligou a televisão e foi para o banheiro. Um momento depois ele enfiou a cabeça pela porta e acrescentou, sorrindo:

— Vista-se menina. Quero exibi-la por aí.

Era tudo o que eu precisava ouvir. Saltei da cama e corri para o meu banheiro. Enquanto me vestia, uma roupa informal de verão, podia ouvir música na sala. Entreabri a porta e fiquei surpresa ao constatar que todos os rapazes estavam ali, já vestidos, o desjejum posto na mesa de jantar. Terminei de escovar os cabelos e saí para a sala, onde todos me cumprimentaram com sorrisos afáveis. Elvis ainda não chegara e por isso ninguém começara a comer.

Todos estavam muito quietos. Embora já passasse de quatro horas da tarde, parecia que ainda era de manhã bem cedo. Cerca de quinze minutos depois Elvis entrou na sala, vestindo um terno com colete. Compreendi que


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não havia nada em meu guarda-roupa que se ajustasse à sua elegância. Ele foi até o aparelho estereofônico e pôs seu último disco para tocar, dizendo que a gravação era recente e queria que eu ouvisse suas últimas canções.

Só depois é que todos sentamos para comer. Era ótimo ouvir suas gravações antes de serem lançadas no mercado. Ele me perguntou o que eu achava de cada canção. Como eu sabia o que a juventude na Europa estava escutando, achei que meus comentários poderiam ser úteis. Ou pelo menos queria acreditar que fossem.

— Gosto muito das canções de ritmo rápido, como "Jailhouse Rock". Por que não grava mais canções assim? Não parecem tanto com o rock de seus discos anteriores.

Elvis me lançou um olhar de aversão tão intensa que fiquei apavorada.

— Mas que merda! explodiu ele. — Não pedi sua opinião sobre o estilo em que devo cantar. Perguntei se gosta das canções e mais nada... sim ou não. Já estou cheio das opiniões de amadores.

Não preciso de mais uma. Ele levantou-se, foi para o seu quarto e bateu a porta. Tentando recuperar o controle, fiz um esforço para reprimir as lágrimas. Estava embaraçada e confusa. O que havia de errado no meu comentário? Como podia deixá-lo tão transtornado? Por sorte, os rapazes já haviam deixado a mesa e estavam ocupados com diversas tarefas na outra sala. Não sabia se algum deles ouvira a explosão de Elvis, mas não queria confrontá-los. Sabia que Elvis possuía um temperamento explosivo-já o testemunhara antes, na Alemanha — mas nunca descarregara em cima de mim.

Lentamente, levantei-me, especulando para onde ir. A porta do quarto de Elvis ainda estava fechada. Embora partilhássemos o quarto, eu hesitava em entrar, com medo de que ele começasse a gritar comigo. Sem saber o que mais fazer, sentei ao lado dos discos e comecei a examiná-los, fingindo estar muito interessada.

E logo ouvi a porta do quarto abrindo, avistei Elvis parado ali. Ele fez um gesto para que eu me aproximasse. Relutante, larguei os discos e fui para o quarto, temendo o que ele ia dizer. Elvis fechou a porta, sentou-me na beira da cama e, para minha surpresa, começou a pedir desculpas:


— Desculpe, Baby. O que aconteceu antes não tinha realmente nada a ver com você. Acabei as gravações e ficaram ótimas, em comparação com o que geralmente querem de mim para os filmes.

Ele falou mais sobre o seu último filme, relatou a história, as canções, os diálogos, achando que era tudo uma porcaria.

Eu começava a compreender alguma coisa de sua frustração e insatisfação. Lembrei nossas conversas na Alemanha. Elvis sentia orgulho dos filmes que fizera antes de ingressar no exército. Falara cheio de esperanças sobre a perspectiva de fazer filmes com mais substância e menos canções.

— Cilla, daqui por diante planejo manter separadas a carreira de cantor e a carreira de ator.

Ele achava que era capaz de desempenhar papéis mais difíceis do que estavam lhe dando. A fim de se preparar, estudava determinados atores, aos quais admirava, como James Dean em "Assim Caminha a Humanidade" e Marlon Brando em "Sindicato de Ladrões" e "O Selvagem".

— Mas continuam a me oferecer apenas os mesmos musicais, Cilla, as mesmas histórias insípidas... e estão se tornando cada vez piores.

Seu maior problema era o fato de que esses filmes e os álbuns com trilha sonora eram sucessos espetaculares. Mas livrando-se de sua seriedade, ele pegou-me a mão e disse:

— Vamos fazer compras, Baby.

Essa era a maneira de Elvis compensar a sua explosão, mas eu levei algum tempo para superar. Acompanhei-o assim mesmo, forçando um sorriso entusiasmado. Estava começando a compreender como todos se comportavam de acordo com o ânimo de Elvis.

Levando Gene e Alan, embarcamos numa limosine à espera e andamos até que Elvis avistou uma butique em que vestidos atraentes, de lantejoulas, renda e babados, enfeitavam manequins na vitrine. Ele gritou para o motorista:

— Vamos parar aqui!

Pegando-me pela mão, ele levou-me para a butique. Todo o séquito acompanhou-nos, certamente o bando mais disparatado que já invadiu uma loja elegante como aquela. A vendedora ficou atônita.


— Oi dona. Sou Elvis Presley. Estamos dando uma olhada por aí. Talvez possa nos mostrar alguma coisa que agrade à minha amiga.

Os dois olharam para mim. A expressão da vendedora indicava que nós duas estávamos pensando a mesma coisa: aquelas roupas eram sofisticadas demais para uma garota como eu. Mas quando deparava com alguma coisa de que gostava, Elvis não pensava em termos de idade. Enquanto a vendedora ia até os fundos para buscar as roupas que encontrasse nos tamanhos seis e quatro, Elvis pôs-se a vasculhar os cabides, tirando diversas criações deslumbrantes e indagando quais me agradavam.

— São todos lindos — balbuciei. — Mas não sei como eu ficaria neles.

— Deixe que eu julgue isso — Disse Elvis, piscando um olho para Gene, que murmurou um de seus comentários absurdos.

Todos desatamos a rir, o que trouxe a vendedora de volta, apressadamente, carregando várias roupas. Elvis indicou suas preferências e declarou:

— Experimente essas roupas. E escolha quaisquer sapatos combinando, encaminhei-me para a cabine. A vendedora seguiu-me.

Longe dos olhos de Elvis, ela tratou-me como uma garotinha, mas eu estava tão encantada com as roupas que não me importei. Ao me contemplar no espelho com um vestido longo de jérsei preto e sandálias douradas de saltos, mal pude me reconhecer. Parecia mais velha, muito sensual e sofisticada. Quando saí da cabine, a vendedora murmurou:

— Não está nada mau para uma criança.

Elvis deu uma olhada e exclamou:

— Maravilhoso! Vamos levar!

Ficamos na butique por mais duas horas. Elvis me comprou não apenas o vestido preto, mas também outro de cetim azul, diversas roupas lindas de seda e "chiffon" além de um lindo vestido de brocado azul-claro, tudo acompanhado por bolsas e sapatos combinando. Quando saímos, deparamos com uma multidão formada lá fora.

Elvis olhou para Alan, que desapareceu no mesmo instante. Depois, ele deu autógrafos a diversas pessoas e despediu-se. Gene levou-nos pelos fundos da loja, onde Alan esperava com o carro, pronto para nos levar de volta ao hotel. Chegamos à suíte, Elvis anunciou:


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— Estou morrendo de fome. Joe, peça-me um filé, mas cuide para que seja feito como eu gosto. O que vai querer, Honey?

— Eu sempre mando eles fazerem como você gosta, Elvis — protestou Joe.

— Pois mande de novo — disse, Elvis em tom áspero. — A carne sempre vem meio crua.

Para Elvis, bastava a carne estar um pouco rosada para ser crua. Quando pediam um filé para ele, todos especificavam "muito bem passado". Virando-se para Alan, Elvis determinou:

— Orelha de Porco (ele sempre punha apelidos em todos os seus empregados), faça reservas para o show de Red Skelton à meia-noite. E veja se há alguém no hotel que possa pentear e maquilar Cilla.

— Pentear e maquilar? — repeti. — O que há de errado com os meus cabelos?

Eram compridos e castanho-escuros, penteados de um jeito informal. Mas além de sentir que ele não gostava do meu penteado, comecei a pensar agora que também não gostava de minha aparência.

— Não há nada de errado com seus cabelos, querida. Acontece apenas que estamos em Las Vegas. Todas as mulheres andam com um penteado formal. E você precisa de um pouco de maquilagem em torno dos olhos. Para ressaltá-los ainda mais. Gosto de bastante maquilagem. Serve para definir as feições.

Definir as feições? Na ocasião, fazia muito sentido... e Elvis sabia o que estava fazendo.

Enquanto esperávamos o jantar, Elvis pôs um dos seus discos na vitrola e sentou ao meu lado, cantando alto, acompanhando sua própria voz no disco. Naquele momento toda a minha paixão foi reavivada. Quando ele cantava sobre o amor perdido ou uma vida passada no sofrimento e angústia, dizia a letra com tanta convicção que eu podia sentir toda a intensidade de sua dor. Elvis era fã da música Country muito antes que se tornasse popular e sempre se mostrara impressionado com a emoção intensa que tais gravações ofereciam.

Depois do jantar começamos a nos aprontar para a noitada. A pedido de Elvis, Armond, um cabeleireiro do hotel, veio à suíte e passou duas


horas ajeitando minha nova aparência. Ele puxou e torceu meus cabelos, fazendo uma mecha comprida cair pela frente do ombro esquerdo. Depois, aplicou tanta maquilagem que não dava para determinar se meus olhos eram pretos, azuis ou pretos e azuis. Era a aparência dos anos sessenta, só que mais extremada.

Era assim que Elvis queria. Quando pus meu vestido novo de brocado completou-se a transformação de uma garota inocente de dezesseis anos para uma sereia sofisticada. Eu parecia uma das dançarinas do Folies-Bergère.

— Mas o que aconteceu com a pequena Cilla? — disse Elvis, ao me ver. — Você está linda. Joe, dê um pulo até aqui. Veja o que descobri.

Joe entrou, teve uma reação de surpresa e comentou:

— Não parece a garotinha que conhecemos na Alemanha, usando um vestido de marinheira.

Todos riram e partimos para assistir ao show da meia-noite de Red Skelton. Chegamos pouco depois que as luzes apagaram e o maître, usando uma lanterna, conduziu-nos à nossa mesa. Elvis sempre procurava chegar desapercebido, a fim de não desviar a atenção do artista que estivesse fazendo o espetáculo. Mas espalhou-se pela audiência a notícia de que ele estava ali e poucos segundos depois os murmúrios começaram, várias cabeças se viraram.

Ao final do espetáculo, Elvis sempre tentava sair antes que as luzes acendessem. Mas naquela noite não o fizemos. As luzes se acenderam e no instante seguinte estávamos cercados por uma multidão entusiástica,as pessoas se empurrando e acotovelando,ansiosas em conseguirem um autógrafo.

Tendo apenas pouco mais de 1,60m de altura, fui engolfada pelo aperto e me senti sufocada. Estendi a mão para Elvis, dominada pelo pânico, e balbuciei:

— Não consigo respirar. Tenho de sair daqui.

A princípio ele sorriu, depois assumiu uma expressão de preocupação, ao perceber meu desespero. Ainda sorrindo e dando autógrafos, ele disse a Alan:



— Tire Cilla daqui o mais depressa que puder. Irei me encontrar com vocês assim que for possível.

Alan olhou para mim, pegou-me a mão e abriu caminho pela multidão, saindo do hotel. Respirando o ar fresco lá fora, recuperei o controle. Pela experiência, aprendi a efetuar um reconhecimento das saídas sempre que entrava com Elvis em alguma sala apinhada.

Quando ele saiu também, poucos minutos depois, a limusine já estava à espera. Embarcamos e partimos para o Sahara Hotel, ao encontro da minha primeira aventura no jogo. Elvis não era um jogador sério, pois não se importava se ganhava ou perdia. Jogava apenas pela diversão. Um charuto sobressaindo no canto da boca, um copo na mão, os olhos se estreitando desconfiados para as cartas, ele oferecia uma encenação impecável de Clark Gable como Rhett Butler. Sentei orgulhosa ao seu lado, a própria Scarlet O'Hara.

Eu nunca jogara vinte-e-um antes, mas depois de algumas mãos Elvis concluiu que eu pegara o jeito. Entregou-me quinhentos dólares e disse, jovialmente:

— Está agora por conta própria, menina. O que ganhar é seu e o que perder... discutiremos a respeito mais tarde.

Sorri e pedi ao crupiê que me incluísse no jogo. Olhei para as minhas cartas, contando com os dedos por baixo da mesa. Nove mais oito dá dezessete e depois um cinco faz...

— Vinte e um! — gritei, abrindo as cartas por baixo da mesa e olhando para Elvis, em busca de aprovação.

— Deixe-me dar uma olhada. — Ele recolheu as cartas, cerrando um olho ao contar. Depois, inclinando-se para mim, ele sorriu e sussurrou: — Desculpe Baby, mas você está com vinte e dois.

Fiquei tão embaraçada que pedi licença e fui me refugiar no banheiro. Acabei tomando coragem para voltar, tentei de novo e a sorte me ajudou, pois ganhei duzentos dólares.

Durante as duas semanas seguintes dormíamos de dia e jogávamos à noite. Se havia algum show, íamos assistir; se havia um cassino, íamos jogar. A fim de me adaptar a esse estilo de vida vertiginoso e horários insólitos, passei a acompanhar Elvis e os outros, tomando anfetaminas e


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pílulas para dormir. E tomava as pílulas apesar de todas as apreensões que sentia a respeito. Eram essenciais para que eu não ficasse para trás. Estava me adaptando. As inibições foram se desvanecendo, tornei-me mais positiva, especialmente depois que tomava as pílulas. Gostava da sensação. Embora fosse uma fuga da realidade, estávamos em sintonia e eu me convencia de que me ajustava cada vez mais ao mundo de Elvis. Estávamos aprendendo tudo a respeito um do outro e aproveitando aquela viagem para compensar os dois anos de separação. Ambos ficávamos cada vez mais apaixonados... e evitávamos pensar no momento em que teríamos de nos separar mais uma vez.


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CONTINUA,,,,,,,,
 

 









LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 7

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 7



Era um dia frio e nevado, em março de 1962, quase dois anos depois que Elvis deixara a Alemanha. Ao final da tarde, ele me telefonou. Há meses que não nos falávamos.

— Eu gostaria que você viesse a Los Angeles, Baby. Acha que podemos dar um jeito?

Atordoada, balbuciei:

— Não sei... Oh, Deus, eu não esperava por isso! Vai precisar algum tempo, algum planejamento.

Eu achava que jamais conseguiria persuadir papai a me deixar viajar. Houve vários telefonemas, com Elvis procurando dizer todas as palavras certas para agradar os meus pais. Tive conversas separadas com mamãe, na esperança de que ela me ajudasse a convencer papai.

Mais uma vez, Elvis atendeu a todas as exigências de papai: que esperássemos até eu iniciar as férias de verão, que ele me enviasse uma passagem de ida e volta em primeira classe, que apresentasse um roteiro meticuloso das minhas atividades durante as duas semanas que passaria em Los Angeles, que eu tivesse uma companhia constante e escrevesse todos os dias para meus pais.

Os poucos meses subseqüentes pareceram anos. Eu marcava no calendário cada dia até o nosso reencontro.


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Quando o avião pousou em Los Angeles eu descobri que o terminal estava fervilhando de estudantes em férias. Mas não tive qualquer dificuldade em avistar Joe Esposito, que ainda trabalhava para Elvis. Foi um prazer rever Joe. Seu sorriso largo e abraço afetuoso foram confortadores. Adorei quando ele disse que eu estava maravilhosa. Mas eu não pensava assim. Quando Elvis me vira pela última vez eu tinha quatorze anos e três quilos a menos. Receava agora que ele ficasse desapontado ao me ver e me mandasse de volta para casa no dia seguinte. Tive o primeiro vislumbre de Los Angeles ao deixarmos o aeroporto. Era uma cidade linda, muito diferente da insipidez da Alemanha do pós-guerra. Ao passarmos pelos estúdios da MGM, em Culver City, Joe comentou:

— Foi aqui que Elvis fez a maioria de seus filmes.

Logo estávamos percorrendo a lendária Sunset Strip e passando pelos enormes portões de ferro batido de Bel Air.

Eu estava entrando num mundo que jamais conhecera. Cada casa ao longo da rua sinuosa parecia mais espetacular de que a anterior. Entramos na casa de Elvis na Bellagio Road, no estilo de uma villa italiana. Fomos recebidos pelo mordomo de Elvis, que se apresentou como Jimmy e disse:

— O Sr. P. está no estúdio.

Ao passarmos pela porta, pude ouvir música tocando alto e pessoas rindo. Joe levou-me lá para baixo.

Antes de entrar, respirei fundo. Os anos de espera estavam agora encerrados. Na semi-escuridão, avistei pessoas refesteladas num sofá e outras de pé, junto a uma vitrola automática, selecionando canções. E depois vi Elvis, de calça preta, camisa branca e quepe. Senti vontade de correr para os seus braços, mas aquela sala cheia de pessoas não era o


cenário com que eu sonhara para o nosso primeiro encontro. Ele se virou e me avistou; depois de uma breve pausa, seu rosto se abriu num sorriso.

— Lá está ela! — exclamou ele, largando seu taco. — É Priscilla! Ele se adiantou, abraçou-me e beijou-me. Apertei-o por tanto tempo quanto pude... até que ele me largou.

— Já não era sem tempo — disse ele, jovialmente. — Por onde você andou durante toda a minha vida?

Consciente de que todos os olhos na sala se fixavam em nós, eu me sentia embaraçada. Enxuguei rapidamente as lágrimas, antes que alguém percebesse. Elvis pegou-me pela mão e apresentou-me, depois fomos sentar juntos.

— Não sabe como estou contente por ter você aqui comigo — ele repetia a todo instante. — Não imagina como estou ansioso em lhe mostrar tudo. Você cresceu. E está sensacional. Deixe-me contemplá-la. Fique de pé. Enquanto ele me olhava, fui ficando cada vez mais inibida. Não queria que ele continuasse a me contemplar por muito tempo. Poderia encontrar defeitos.

Elvis estava lindo, mas fiquei surpresa ao descobrir que seus cabelos louros do tempo do exército estavam agora pintados de preto. Ele parecia mais magro e feliz.

— Não vá embora Baby.

Ele deu-me um beijo afetuoso e depois voltou à mesa de sinuca, a fim de terminar a partida.

A noite parecia se arrastar devagar... devagar demais. Enquanto Elvis estava jogando, algumas garotas se aproximaram de mim e se puseram a falar. Disseram que Elvis oferecia festas quase todas as noites. Ouvindo isso e observando-o, enquanto a noite avançava, senti-me fora de contato com sua nova vida, embora as garotas dissessem que ele falava a meu respeito com freqüência e até mostrava minha fotografia a todo mundo.

Jogando sinuca, Elvis ria e gracejava. Quando uma das garotas se inclinou sobre a mesa, a fim de tentar uma tacada, Elvis espetou seu traseiro com o taco. Ela soltou um grito de surpresa e todos riram... menos eu. Não pude deixar de notar que houvera uma pequena mudança em

Elvis. Ele deixara a Alemanha como um garotão gentil, sensível e inseguro; durante a noite, eu iria constatar que se tornara malicioso e confiante, ao ponto da arrogância.

Elvis parecia também ser capaz de explodir em raiva muito depressa. Quando uma garota advertiu-o a tomar cuidado com um copo, empoleirado precariamente na beira da mesa de sinuca, ele lançou-lhe um olhar furioso, como a dizer "Pegue o copo você mesma."

Eu me sentia apreensiva. Não sabia o que fazer ou dizer. Entre as tacadas, Elvis se aproximava e me dava um beijo afetuoso, indagava se eu estava bem, depois voltava para sua tacada seguinte. Enquanto isso, os olhares curiosos de suas admiradoras nunca se afastavam de mim. Passava de meia-noite e meia quando Elvis finalmente sentou ao meu lado. Agora, foi como nos velhos tempos na Alemanha. Ele sugeriu que eu fosse para o seu quarto.

— Lá em cima, a primeira porta à direita, Baby. As luzes estão acesas. Subirei daqui a pouco. — Comecei a me levantar e ele acrescentou: — Espere alguns minutos, até eu me afastar. Assim, não vai parecer tão óbvio. A situação não me agradava. Sabia que ele estava me protegendo, mas havia muitas garotas bonitas presentes e eu queria que todas soubessem que Elvis me pertencia... pelo menos enquanto eu estivesse ali. Esperara tempo demais para ser discreta.

Levantei-me, espreguicei-me um pouco, desejei polidamente boa noite a todos, esperando que soubessem com certeza para onde eu estava indo.

Subi a escada correndo e encontrei o quarto de Elvis sem qualquer dificuldade. Era muito diferente dos seus aposentos de aparência comum na Alemanha. Nunca o imaginara a viver com tanto luxo — tapetes grossos, móveis requintados — mas o quarto parecia aconchegante. E depois meus olhos se fixaram na cama enorme, no meio do quarto. Pensei no mesmo instante em quantas mulheres já teriam dormido ali... corpos que ele abraçara e acariciara... e ainda pior, lábios que ele beijara ardentemente e o levaram ao êxtase. Eu não podia pensar em qualquer outra coisa.

Fui até as portas francesas que davam para o pátio e observei os convidados de Elvis se despedindo e se encaminhando para seus carros.


Sabendo que provavelmente ele subiria dentro de um instante, corri para o enorme banheiro adjacente.

Dez minutos depois eu entrara e saíra da banheira, penteara os cabelos, escovara os dentes e passara no corpo todo um talco que encontrara no armarinho da pia. Pus meu pijama azul predileto e fiquei parada, imóvel, diante da porta para o quarto. Sentia-me tão apreensiva que não era capaz de abrir a porta. Aquele era o momento que tanto ansiáramos e temêramos. Sentei numa cadeira e lembrei que Elvis dissera, quando eu tinha quatorze anos, que era "jovem demais". Agora que tinha dezesseis anos, tentei imaginar o que aquele Elvis, a quem eu mal conhecia, podia esperar de mim.

Cerca de quinze minutos depois ouvi-o abrir a porta do quarto e gritar para o primo, Billy Smith, que também trabalhava para ele:

— Não me deixe dormir até depois das três horas amanhã, Billy. No instante seguinte ele fechou a porta, trancou-a e indagou:

— Onde você está Baby?

— Estou no banheiro. Estarei aí com você dentro de mais alguns minutos.

Não demore muito. Quero ver minha garota. Eu ainda não conseguia me mexer. Elvis chamou de novo:

— O que está fazendo aí, Cilla?

Ninguém leva tanto tempo para se aprontar para deitar. Era o momento da verdade. Respirando fundo, abri a porta e saí. Elvis estava deitado na cama, fitando-me. Avancei em sua direção devagar, subi na cama, deitei ao seu lado. Nossos rostos estavam separados por poucos centímetros. Era um momento de ternura tão inesperado que fiquei mesmerizada a contemplar os seus olhos. Ficamos assim por um longo tempo, fitando-nos, até que nossos olhos se encheram de lágrimas. Elvis acariciou meu rosto, suavemente, sussurrando:

— Não pode imaginar como eu senti saudade. Você tem sido uma inspiração para mim. Não me pergunte por quê, mas não consegui tirar você dos pensamentos desde que deixei a Alemanha. É a única coisa que me mantém firme.

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Não pude me controlar por mais tempo. As lágrimas escorriam-me pelas faces. Elvis abraçou-me e apertou-me, mas parecia que eu não conseguia ficar bastante perto dele. Se pudesse entrar dentro dele, eu o teria feito.

— Tudo vai dar certo, Baby. Eu prometo. Você está aqui agora e isso é tudo o que importa. Vamos nos divertir ao máximo e não pensar na sua volta.

Deitados ali, na semi-escuridão, Elvis logo descobriu que eu continuava tão intacta quanto me deixara, dois anos antes. Aliviado e satisfeito, Elvis comentou que isso significava muito para ele. Foi como se todos os meus sentimentos de mulher começassem a aflorar. Passei a beijá-lo ardentemente. Eu o queria... estava pronta para me entregar totalmente. Ele reagia ao meu ardor, mas de repente parou.

— Espere um pouco, Baby — murmurou ele. — Isso pode escapar ao controle.

— Há algum problema?

Eu temia não estar agradando-o. Elvis sacudiu a cabeça, tornou a me beijar e depois, gentilmente, puxou minha mão para si.

Senti o quanto ele desejava, física e emocionalmente. Elvis comprimiu seu corpo contra o meu, era uma sensação maravilhosa.

— Eu quero você, Elvis.

Ele pôs um dedo em meus lábios e murmurou:

— Ainda não... não agora. Temos muitas coisas pela frente. Não quero macular você. Desejo apenas que continue assim como está, por enquanto. Haverá um momento e um lugar certo e saberei quando isso acontecer.

Embora confusa, eu não estava disposta a argumentar. Elvis deixou bem claro que era isso o que queria. Fazia com que parecesse muito romântico e, estranhamente, era algo para se aguardar com ansiedade. Mas tarde, naquela mesma noite, ele disse que eu tinha de ficar na casa de amigos seus, George e Shirley Barris. Embora eu protestasse, Elvis insistiu:

— Não quero quebrar a promessa que fiz a seu pai. E se ele descobrisse que você está aqui comigo, certamente a obrigaria a voltar para casa no mesmo instante.



Não fazia o menor sentido, mas saí da cama e Elvis mandou Joe me levar até a casa dos Barris, onde passei a noite. Relutante, é claro. Posteriormente, descobri através de uma das esposas com quem fiz amizade o motivo para eu passar aquela primeira noite com George e Shirley. Anita fora despachada de volta a Memphis no dia anterior e Elvis estava tomando as precauções necessárias para evitar situações constrangedoras que poderiam resultar de telefonemas durante a madrugada, já passava de três horas da tarde seguinte quando Elvis telefonou, informando:

— Alan já está indo buscá-la.

Alan Fortas era outro dos seus empregados. Quando chegamos a casa, encontrei Elvis lá em cima, vestindo-se. Assim que me viu, ele beijou-me e perguntou:

— Gostaria de ir a Las Vegas? Podemos nos divertir a valer e eu lhe mostraria meus lugares prediletos.

Sem compreender sua contradição em relação à minha permanência com Barris na noite anterior e me sentindo apreensiva para fazer qualquer pergunta, limitei-me a dizer:

— Adoraria. Quando?

— Esta noite. Vamos pegar o ônibus e partir por volta de meia-noite. Chegamos pela manhã, dormimos durante o dia inteiro e assistimos aos shows e nos divertíamos pela noite afora.

O excitamento estava no ar... Las Vegas! Eu jamais sonhara em ir até lá e não tinha a menor idéia do que esperava. Na verdade, não me importava para onde fôssemos, desde que eu estivesse em sua companhia.

Tinha duas preocupações imediatas. A primeira, não sabia se podia comprar — ou se na minha idade deveria usar — as roupas glamorosas apropriadas para Las Vegas. Mas Elvis disse que eu não me preocupasse com isso, Alan me levaria às compras naquela tarde.


ELVIS E EU


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CONTINUA,,,,,,,,,