Elvis 1956


terça-feira, 18 de abril de 2017

LIVRO ELVIS E EU CAPITULO 14

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Continuação do livro Elvis e EU  Elvis And Me CAPITULO 14


Poucos dias depois de sua volta, Elvis levou-me para sua limusine preta e partimos para uma incursão pelas butiques mais exclusivas de Menphis, na Union Street, a fim de fazermos compras depois do expediente, como acontecera em Las Vegas. Enquanto os rapazes se postavam em torno da loja e as vendedoras procuravam parecer indiferentes, Elvis sentia o maior prazer em me fazer experimentar dezenas de vestidos e casacos deslumbrantes, tão elegantes que eu duvidava se poderia usá-los. Afinal, ainda era uma adolescente insegura.

— Elvis — comentei um dia, usando um sensual vestido de lamê dourado, que aderia a todas as curvas do meu corpo, — estas roupas são sofisticadas demais para mim.

— Sofisticadas? — repetiu ele, com uma expressão de admiração. — O que é sofisticada? Você pode vestir apenas uma pena e seria sofisticada.

— Pois então me providencie uma pena.

Passamos horas naquela loja e ali recebi uma aula personalizada do Curso de Moda Elvis Presley.

Enquanto eu experimentava um vestido depois de outro, Elvis fazia comentários sobre as cores. Gostava que eu usasse vermelho, azul, turquesa, verde-esmeralda e preto e branco — as mesmas cores que ele usava. Gostava apenas das cores lisas, declarando que os estampados grandes prejudicavam a minha aparência.

— Distrai a atenção — disse ele.

Ele detestava o marrom e o verde-oliva, cores que em sua mente estavam irremediavelmente vinculadas ao exército.

Exausta e um pouco confusa com minha nova aparência, saí da loja vestindo um costume preto de linho, com sapatos combinando, os saltos de dez centímetros. Com Elvis sentado ao meu lado, orgulhoso, enquanto os rapazes guardavam na mala da limusine todos os
embrulhos, eu me senti


muito especial. Eu era a boneca de Elvis, uma boneca viva, que ele podia modelar como lhe aprouvesse.

Era o início dos anos sessenta, quando as roupas e a maquilagem chegavam a extremos. Os delineadores para os olhos das mulheres eram mais intensos, os cabelos mais armados e as saias mais curtas do que em qualquer outra ocasião anterior. Todas as regras que eu aprendera sobre vestir e maquilar (menos é mais, quanto mais simples, melhor) estavam sendo superadas... e os homens pareciam adorar. Não resta a menor dúvida de que Elvis adorava. Se eu passava pouca máscara ou delineador, ele me mandava subir para aplicar mais. Hoje, não posso deixar de rir quando olho para as fotografias daquele tempo. Mal consigo encontrar meus olhos por baixo daquela camuflagem.

Elvis gostava de cabelos compridos. Quando cortei os meus, sem pedir permissão, ele ficou chocado.

— Como pôde cortar seus cabelos? Sabe que gosto de cabelos compridos. Os homens adoram cabelos compridos.

Ele queria que fossem sempre compridos e bem pretos, pintados para combinar com os seus. E explicava: — Você tem olhos azuis, Cilla, como os meus. Os cabelos pretos farão seus olhos sobressaírem ainda mais. Seu argumento fazia sentido e logo meus cabelos estavam pintados do preto mais preto.

Quanto mais tempo passávamos juntos, mais eu me parecia com ele, sob todos os aspectos. Seus gostos, inseguranças, problemas — tudo era meu também.

Por exemplo, os colarinhos altos constituíam uma espécie de marca registrada de Elvis, não porque os apreciasse especialmente, mas sim porque achava que seu pescoço era muito comprido. Ele não se sentia à vontade se não estivesse com uma camisa sob medida de colarinho alto, embora numa emergência pudesse levantar a gola de uma camisa comum, como fazia quando estava na escola.

Quando ele me disse que a gola de uma blusa que eu estava usando era pequena demais para "meu pescoço comprido e esquelético", também passei a usar golas altas. Por que não? Minha única ambição era agradá-lo,
 
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ser recompensada com sua aprovação e afeição. Quando ele me criticava, eu ficava completamente desorientada.

A natureza de Pigmalião de nosso relacionamento era uma bênção mista. O elemento mais fundamental naquela altura de nossa vida comum era o fato de Elvis ser meu mentor, alguém que estudava cada gesto meu, escutava com uma posição crítica tudo o que eu dizia e era generoso, até em demasia, com os conselhos.

Eu era corrigida sempre que fazia qualquer coisa que não era do seu gosto. É muito difícil relaxar sob tamanho escrutínio. Pouco escapava a Elvis. Pouco exceto o mais importante de tudo — que eu era um vulcão prestes a entrar em erupção.

Havia noites em que ele me mandava subir de novo para trocar de roupa, porque achava que minha escolha era "insípida", "inconveniente" ou "pouco elegante". Até mesmo o jeito como eu andava foi criticado; ele me dizia para andar mais devagar e por algum tempo me fez circular pela casa com um livro na cabeça.

Eu apreciava seu interesse, mas detestava ser obrigada a ouvi-lo ressaltar minhas deficiências com tanta freqüência, sempre tendo de lhe prometer que nunca mais precisaria me dizer aquilo. Algum dia eu conseguiria corresponder à sua visão de como a mulher ideal deveria se comportar e parecer? Ela tinha de ser sensível, amorosa e extremamente compreensiva, atendendo a exigências excepcionais, que qualquer mulher normal teria rejeitado. Isso incluía ficar para trás quando ele realizava súbitas e duvidosas viagens de "negócios".

Ela tinha de ser linda e possuir um senso de humor extraordinário para sobreviver a todas as brincadeiras em Graceland. Muitas vezes eu aparecia nas reuniões das tardes de domingo para assistir partidas de futebol americano e ouvia as piadinhas particulares sobre a atração das animadoras de torcida. Acabei me descobrindo a pensar como os homens. "Lindos peitos e um rabo sensacional", eu dizia a mim mesma. "As coxas são roliças demais, mas a cara compensa." Elvis tinha uma forte aversão a usar jeans. Como um garoto pobre, ele não tivera opção senão usá-los.


Agora que tinha dinheiro, não queria mais saber de jeans. E isso aplicava a todos no grupo.

Suas idéias firmes sobre o meu guarda-roupa praticamente me impossibilitavam de sair sozinha para comprar roupas.

Um dia voltei para casa orgulhosa de um vestido que acabara de comprar e mal podia esperar para vesti-lo. Sabia que Elvis não gostava de estampado, mas aquele era um vestido de seda florido, em preto e branco, estava convencida de que era muito especial.

A primeira coisa que Elvis disse, ao me ver com o vestido, foi o seguinte:

— Esse vestido não combina com você. Não a ajuda em nada. Desvia a atenção de seu rosto, de seus olhos. Tudo o que se vê é o vestido. Enquanto ele me criticava, comecei a chorar. Ao final balbuciei:

— Já acabou?

Não lhe dei a chance de responder, correndo para o meu banheiro e batendo a porta. Poucos minutos depois ouvi sua voz no outro lado da porta:

— Tem de esquecer esses estampados grandes. É uma garotinha, Sattnin.

Abri a porta do banheiro e declarei bruscamente:

— Está certo, vou devolver a porra do vestido.

Elvis caiu no chão, às gargalhadas. Acabei acompanhando-o, incapaz de me controlar. Mais uma vez, eu fizera uma concessão em meu gosto. Ele não ignorava nenhum aspecto da minha aparência, inclusive os dentes. Levou-me ao dentista, mandou-o limpar meus dentes e fazer um exame meticuloso. O dentista deveria procurar cáries e fazer todas as reparações somente com porcelana branca. Para Elvis uma boca cheia de ouro ou prata era uma coisa horrível.

Ele era igualmente fanático com a postura. Se eu relaxava, ele me forçava a empertigar as costas. Quando eu o fitava com a testa franzida, ele a alisava — ou dava um peteleco — dizendo-me para não adquirir o hábito. Eu não gostava que ele me batesse e por isso aprendi depressa a evitar isso. Uma noite, ao voltarmos do cinema, fui me aprontar para deitar, enquanto Elvis ia para o seu estúdio e começava a tocar piano.


Entrei para escutar e apoiei o pé no banco em que ele sentava. Ele olhou para uma pequena falha no verniz das unhas do pé, que retirei do banco no mesmo instante, passando a apresentar desculpas pela deficiência, inclusive prometendo:

— Chamarei a manicure amanhã.

— Ainda bem, porque não gosto da minha garotinha assim. Você deve estar sempre impecável.

Eu estava levando uma vida dupla — colegial durante o dia, uma "femme fatale" à noite. Quando descíamos, ao anoitecer, parecia sempre uma entrada em cena em grande estilo. Mesmo quando a intenção era apenas jantar, sempre nos vestíamos com todo esmero. Elvis podia usar um terno de colete com um chapéu Stetson. Sob o paletó, sempre usava um revólver. Ele me dera uma pequena pistola com cabo de madrepérola e eu a levava no sutiã ou num coldre preso na cintura. Éramos Bonnie e Clyde dos tempos modernos

Elvis adorava cinema e íamos ao Menphian quase todas as noites. Ele ainda alugava o cinema inteiro após a última sessão, já que não podia comparecer a uma sessão normal sem ser assediado. Um dos rapazes sempre providenciava para que houvesse vários filmes disponíveis, pois Elvis podia não gostar do primeiro ou resolver assistir a três ou quatro de uma vez só. Geralmente chegávamos por volta de meia-noite, a limusine parando nos fundos do Menphian. De lá, entrávamos por uma porta lateral, como um casal real presidindo a sua corte.

Já sentada no cinema estava a turma habitual de trinta a cinqüenta pessoas, amigos e fãs. Elvis sempre sentava no mesmo lugar — com Joe Esposito à direita, eu à esquerda. Antes de ordenar que a projeção começasse, ele olhava ao redor, a fim de constatar se todos já estavam sentados. Era uma pessoa extremamente perceptiva e podia localizar num instante qualquer rosto desconhecido ou indesejável. Se rostos novos estavam sentados muito perto, Elvis sugeria que se mudassem para outros lugares. Era mais indulgente com as garotas. Não podia exigir que mudassem de lugar, mas queria saber quem eram; se elas se recusavam a


ELVIS E EU


dar a informação ou se esquivavam de alguma forma, Elvis não hesitava em pedir a um dos rapazes que as acompanhasse até a saída, dizendo-lhes que nunca mais voltassem.

Havia ocasiões em que Elvis alugava todo o Parque de Diversões Menphis depois do fechamento e passávamos horas ali nos divertindo. Fazíamos as maiores loucuras, apostando, por exemplo, quem conseguia, na montanha-russa, agüentar por mais tempo de pé e com os braços estendidos, enquanto os carros desciam e subiam vertiginosamente pelos trilhos.

Elvis adorava os carrinhos de choque e formava uma equipe com seu séquito para enfrentar uma turma local. Passavam a noite tentando aparentemente se matarem uns aos outros, rindo e se machucando como garotinhos estouvados, enquanto as garotas assistiam e aplaudiam. Depois de muitas horas, no entanto, meu entusiasmo sempre acabava definhando.

 

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CONTINUA,,,,,,,,,,